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Blog do Veriano
 


Nevoeiro Apocaliptico

 

 

 

 

            Cercados por uma névoa inexplicada, pessoas de índoles diversas escondem-se em um supermercado até que o tempo melhore. Um  pai com o filho de 9 anos chorando a falta da mãe usa a pose de líder. Ele percebe que o gerador da loja está com defeito, que ao chegar a noite o pânico se instalará de forma incontrolável. Para piorar a situação, uma religiosa fanática prega que aquilo é o fim do mundo, que o nevoeiro é um sinal divino, que resta as pessoas entregarem sem resistência as suas almas ao Criador.

            A prédica da beata gera uma confraria que aumenta na medida em que as tentativas de deixar o mercado se tornam infrutíferas (quem tenta morre) e o tempo de espera passa de 24 horas.

            “O Nevoeiro”(The Mist) saiu da cabeça de Stephen King. No cinema foi dirigido por Frank Darabont, especializado em filmar King desde algum tempo (“A Espera de um Milagre”, é o melhor exemplo). Podia ser um simples “thriller” onde a tônica é o medo crescente que se apodera das pessoas confinadas por uma causa que não explicam. Mas há outras leituras, como a fácil proliferação de idéias em um microcosmo de limites frágeis, a influência malsã de preceitos religiosos traduzidos ao pé da letra, a “anatomia” e “fisiologia” do próprio medo, e a ciência trabalhada em clima experimental sem pesar efeitos colaterais danosos. Isto e mais o militarismo, a pugna pela criação de novas armas como defesa e ataque.

O filme fica na metade do caminho dessas vertentes curiosas. Mas não deixa de incitá-las, e com isso prender o espectador por duas horas e cinco minutos. É um dos mais instigantes King já filmados, mesmo com alguns atores não conseguindo disfarçar os seus limites.(Pedro Veriano)



Categoria: Filmes
Escrito por Pedro Veriano às 14h47
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Cinemas que morrem

Cinema de rua morreu. O exibidor alega os motivos: praticidade, segurança, custo operacional menos aflitivo, capacidade para mais de uma sala (os chamados multiplexes).

            O novo funeral em Belém é do trio da rua S. Pedro: Cinemas 1, 2 e 3. O primeiro e o segundo foram inaugurados no dia 29 de junho de 1978. O último em agosto de 1987. Eu estive presente na geração e no parto. Antes, dirigia um cine-clube e tinha Alexandrino Moreira como referência. Era não só o mecenas, mas o apaixonado pela arte cinematográfica, o bastante para empregar dinheiro de seu bolso na construção de cinemas.

            Em principio seria uma sala. Depois, seguindo conselho de um distribuidor de filmes radicado em S. Paulo, o projeto abriu espaço para mais uma. O terreno já era de Alexandrino, na então desprezada S. Pedro, rua de terra batida, cheia de buracos que formavam “piscinas” em época de chuva.

            A idéia era tão utópica que a firma criada para construir os cinemas ganhou o nome de Cinema de Arte do Pará Ltda. E eu programei as salas por 1 ano, fazendo até mesmo os anúncios para jornal. Quase as matava com a minha rigidez em passar só clássicos da chamada Sétima Arte.

            Felizmente saí em tempo. Veio o meu compadre Hailton Magalhães, que era funcionário da empresa Severiano Ribeiro. A Columbia Pictures passou a ser a base dos lançamentos. O aspecto comercial ganhou tempo e espaço. E muitos sucessos aconteceram, até quando a concorrência passou a racionar os filmes e todos os motivos que maculam uma cidade grande, como a insegurança, foram chegando.

            Alexandrino jogou a toalha em 2006. Mas a Moviecom pediu para arrendar as salas e as manteve até 21 de agosto de 2008.

            Hoje tudo é história. Mais títulos para o “já teve” de uma Belém que se recicla, que certamente não é mais a mesma de quem, como eu, passou dos 70.

            Mas a vida continua. A própria firma Moviecom abriu 5 cinemas na mesma rua, no shopping Iguatemi-Belém. Outro shopping a chegar deve ter mais 7 salas. Cinema persiste. Como dizia Lavoisier, “nada se perdem tudo se transforma”. O que se perde, e isto não foi deduzido pelo pai da química, é o amor por um feito. E é uma coisa tão subjetiva que nem a História grava. (Pedro Veriano).



Escrito por Pedro Veriano às 11h22
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O Escafandro e a Borboleta

 

 

 

            Jean Michel Basquat comparava a sua situação depois de um derrame como um escafandrista dentro d’água. Procede a idéia de prisão: restou-lhe apenas o movimento de uma pálpebra. Uma borboleta seria quem o ajudasse a se comunicar com o mundo.Pode ser a sua esposa, de quem estava se separando, como pode ser a sua fonoaudióloga, que lhe ensina a usar cada mexer de pálpebra como uma letra do alfabeto. Dessa forma Basquat consegue até escrever um livro, “O Escafandro e a Bprboleta”(L’Escaphandre et le Papillon) afinal o titulo de um filme..

            O fato é real. O filme, dirigido por Julian Schnabel, tempera o drama com requisitos capazes de atender ao público de cinema. Mas no começo faz-se apenas “câmera olho”, ou seja, se vê o que Basquat vê. É incômodo tantos minutos, num cinema, olhando imagens distorcidas ou deslocadas. E o ângulo visual é restrito. É preciso abandonar o doente e passar a visão para quem atende ao doente. Isso e as lembranças, que furam o bloqueio orgânico e levam o paralítico, ex-redator da revista “Elle”, para cenários que lhe fizeram feliz.

            Há momentos marcantes. Um deles é num domingo, quando Basquat se refere à solidão que fica no hospital e a gente o vê numa cadeira de roda em um salão imenso. A tomada evidencia bem a pequenez do homem diante do espaço que ele não pode desfrutar. O drama é de uma solidão imensa deixada pela imobilidade física. E é pontuado pela canção “La Mer” que traduz melhor a metáfora da situação do personagem (o homem imóvel no fundo do mar).

            Desníveis rítmicos podem ser considerados naturais. A hesitação de usar a primeira pessoa é compreendida na necessidade de narrar em imagens, embora não se despreze a “voz do pensamento” do literal paciente.

            Um bom filme que entre nós inaugurou um programa dedicado ao que se chama de “filme de arte”. (Pedro Veriano)



Escrito por Pedro Veriano às 11h07
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Cinema de Bairro- o S. João

 

 

O leitor Paulo Soares pergunta por um cinema de bairro de Belém que se chamou S. João e mais tarde Cine Art. Não tenho fotos da casa, mas cheguei a visitá-la nas duas fases: quando era “S. João” e pertencia ao grupo Severiano Ribeiro (herdado em 1946 da Cinematográfica Paraense Ltda do banqueiro Adalberto Marques, por sua vez comprador da firma Teixeira & Martins) e quando se transformou em filial da Art Filmes, uma distribuidora & exibidora carioca, pertencente ao grupo Sorrentino (o primeiro dono era um conde italiano) e lançadora de filmes europeus depois da 2ª.Guerra Mundial.

            O S. João era muito popular e fechava o roteiro dos filmes que estreavam no Olímpia, passando na ordem pelo Iracema (depois Nazaré 2), Popular (na av. Magalhãe Barata), Guarani (na Cidade Velha), Poeira (depois Nazaré 1), e Íris (no Reduto).

            A Art pensou que a praça de Belém era interessante e passou a exibir seus filmes e alugar cópias em 16mm. O que andou por lá foram as produções pretensiosas do cinema italiano, como “Carrossel Napolitano”, francês, como “Se Versalhes Falasse”, e alemão como “Noites na Hungria” e “A Voz do Silêncio”.

            Não durou muito o “sonho” da Art. Mesmo com filmes de Hollywood da Allied Artists, firma que não distribuía diretamente as suas produções (“Amor na Tarde” de Billy Wilder seria sucesso no Olímpia mas no Art durou apenas uma semana em cartaz).

            Hoje o espaço é um depósito. (Pedro Veriano)



Escrito por Pedro Veriano às 14h38
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Um Passeio na Lua

 

 

 

 

            Não é filme da série (“Road to”) interpretada por Bob Hope, Bing Crosby e Dorothy Lamour, Felizmente. É um documentário muito interessante produzido por Ron Howard sobre o Projeto Apollo  da NASA, apresentando depoimentos de astronautas que foram ao satélite natural da Terra quando eram jovens de 38 anos e hoje exercitam a memória com 78.

            Para quem não sabe: Aldrim deu a primeira mijada interplanetária. O tripulante da Apollo 11 conta que ao descer da escada para o solo lunar não suportou e encheu o saco plástico colocado dentro da roupa espacial. “- Não agüentei”, diz ele. E quem agüentaria com tamanha emoção?

            Um colega médico esbanja ceticismo ao crer no tablóide que “revelou” a filmagem do acontecimento de julho de 1969 no deserto do Arizona. Os velhinhos de hoje soltam o verbo: “-Seria muito fácil se fosse assim”. E atentam para o fato de terem sido sete expedições, o que vale dizer uma mentira repetida por sete vezes (não vale fazer piada que é conta de mentiroso).

            Ouvi e vi pela TV a chegada de Armstrong e colegas no “altar dos namorados” (na época surgiu a marcha de carnaval que dizia: “Todos eles, estão errados, a lua é dos namorados”). Foi uma torcida fantástica para que tudo desse certo. E olha que a gente não morria de amores por norte-americanos. Ali eram os terráqueos tomando posse do que é seu por direito astronômico. E a ciência fazendo gol de placa.

            No filme algumas falas são ligadas a preceitos religiosos, mas uma delas é interessante nesse aspecto: “- Nós sentimos a grandiosidade mística das religiões que criamos”. E explica: “não há solidão maior do que saber que se está na vastidão de um mundo tendo por companhia só com uma pessoa”. Não se trata de uma ilha, que caberia Robinson Crusoe, mas a consciência da vastidão planetária e a pequenez do homem, embora no momento venha a provar que ele é suficientemente grande para sair do casulo.

            O filme é histórico. As falas talvez sejam as últimas, em público, dessa gente que entrou de cabeça na “guerra fria” e aqueceu a idéia de que a humanidade pode sair de seu berço (ou, quem sabe, voltar ao Éden na concepção de que viemos do espaço).

            “Sombras da Lua”(In the Shadow of the Moon/EUA,2007) é dirigido por David Sington e conta com a  participação, entre outros, de Buzz Aldrin, Neil Armnstrong, Alan Bean,Eugene Cernan, Michael Collins, Charles Drake e Jim Lovell.

            Foi exibido no canal de TV por assinatura Cinemax Plus E.

            Não chegou aos cinemas brasileiros e por enquanto nem ao DVD.(Pedro Veriano)

 

 



Escrito por Pedro Veriano às 14h59
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Valsa Para Ninar Gente Grande

 

 "Uma Valsa Para Bruno Stein"

            Uma valsa tocada em um bom violino por um bom violinista pode gerar um conforto à beira do êxtase, uma pista da felicidade. Mas uma valsa tocada por um instrumento fanho e executada por um porre se der um bom sono é um achado.

            Não sei se o filme de Paulo Nascimento tem muito a ver com o livro de Charles Kiefer de onde vem o roteiro. Não li, e pela chatice do filme não quero ler.

            Walmor Chagas, bom ator de teatro que já fez um filme bom(“S.Paulo S.A.”) produz e atua o saco filmado na serra gaúcha.

            Muito papo, muita pretensão de cinema introspectivo, uma coleção de tipos psicopatológicos a discutir o âmago de uma frase emblemática dita pelo principal personagem: “-É preciso coragem para ser feliz”. Eu arremato: “-É preciso coragem para apresentar um filme tão chato”.

            O Cine Estação (Estação das Docas/Belém) está exibindo dois filmes por mês sendo um nacional. Mas a platéia que lá comparece dispensa a xenofobia. Está saudosa do tempo em que o espaço abrigava cinema de vulto em seqüência.



Escrito por Pedro Veriano às 16h16
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Viagem ao Centro da Terra

 É Preciso Ser Criança

 

            Para ver “Viagem ao Centro da Terra”(Journey for the Center of the Earth/EUA,2008) sem o recurso da 3ª, dimensão que motivou os produtores, é preciso, primeiramente, ser criança. Não que você vá tomar aquele doce veneno de filmes como “Quero ser Grande” (com efeito retrógrado), mas simplesmente que se deixe levar pela memória do tempo em que não reclamava as salas quentes de cinemas de rua, abanava-se com um gibi comprado de segunda mão ao lado da bilheteria, e não se importava em saber que mocinhos e mocinhas enxugavam roupas em segundos, não tiravam a maquilagem nem depois de um banho de lama, e simplesmente mostravam-se indestrutíveis. Tudo isso em troca de um simples prazer, aquela coisa de necessitar de um herói como a Tina Turner cantou no último filme da série “Mad Max”.           

            A “Viagem...” mostrada aos paraenses, sem relevo de imagem, é uma dessas comédias involuntárias que fazem a vez de remédio contra o tédio. Penso que é melhor ver Brandon Fraser correr de um dinossauro do que se meter num desses engarrafamentos de balneários em tempo de férias escolares.

            O que o filme conta, pretende ser ou acaba sendo, é, sobretudo, um comercial pai d’égua do livro homônimo de Jules Verne, aquele que eu, você e o amigo mais próximo leu quando “miúdo”. Sem ser ilustração do texto desse livro, coloca um exemplar nas mãos dos principais personagens com anotações que ajudam na procura de um cientista desaparecido. Tem um momento que um garoto reclama: “Por que eu não li este livro?” Bom efeito: o moleque da platéia corre para ler (hoje é difícil deslocar um menino ou menina de JK Rowlins para Jules Verne).

            Direção mecânica de um cavalheiro chamado Eric Berg e interpretações de quem se diverte trabalhando (às vezes até mais de quem  vê o trabalho).

            Criança perdoa até o chute de uma sepultura sem coveiro. (Pedro Veriano)

           



Categoria: Filmes
Escrito por Pedro Veriano às 16h29
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Hancock

SUPER-HERÓI PAU D’AGUA

 

 

            A formula de humanizar o super-herói passa por uma mudança radical em seu comportamento. Seria um super-homem alcoólatra, preguiçoso, mal vestido,  avesso ao banho e de guerra com o barbeador. Seria Will Smith depois de dormir no metrô em “À Procura da Felicidade”. E deve ser esta a ordem da produção para o diretor Peter Berg, ator de “Colateral” e “Leões e Cordeiros”, escritor e produtor de séries de TV, diretor de alguns episódios dessas séries, e agora diretor muito solicitado pela industria.

A ordem deu em “Hancock”(2008), uma comédia “blockbuster” que funciona quase até ao meio, capengando quando o roteiro envereda por um triangulo amoroso e explica mal a origem do (super)herói.

            Como filme de ação moderno não falta serviço para o ator mais querido da nova Hollywood: o computador.  A maioria das seqüências exigiu fundo verde ou azul para a inserção de imagens digitais.Os carros voam, as pessoas voam, as ruas se abrem, tudo que Superman costuma fazer, John Hancock faz. Só que para ele salvar uma pessoa de um atropelamento é preciso destruir uma frota de veículos, deixar automóvel dependurado em mastro de bandeira e simplesmente quebrar um trem.

            Quando Hancok acha uma igual (e a moda é botar seres invulneráveis brigando com semelhantes) o melodrama pede passagem. Quem é super é a mulher do sujeito boa praça que se torna amigo e protetor dele.Cornea-lo, no caso, é o cumulo do cinismo.Mas logo se sabe de uma espécie de moldagem no sistema elétrico: os pólos iguais se repelem. Mary (Charlize Theron) é, arrisco dizer, positiva. Hancock também. E ele só vai saber disso depois de flertar com ela e saber de sua história desastrada.

            O melo, no caso, é pé na bola. Graças a Smith o filme consegue ser divertido. Dá para boas gargalhadas até quer se adestre o mocinho ao politicamente correto. E super-homem negro ainda não pegou na terra de Obama. Fica até mesmo uma critica: ele, superblackman só dá mancadas, até que um branco mortal lhe ensine que a lei não isenta quem pode voar por conta própria.

            O sucesso comercial indica uma seqüência. Até porque, nos créditos finais, está uma piada. Não se pode chamar Hancock de idiota. Ele queima os fusíveis. Eu jamais o chamaria disso. Mas os roteiristas bem que podiam ser mais idiotas para serem mais engraçados. (Pedro Veriano)

           



Categoria: Filmes
Escrito por Pedro Veriano às 09h34
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Wall-E

 

 

            O mundo vira um lixeiro e robôs são guinados a fazer serviço de garis. Eles lembram os escravos hebreus no Egito, construindo pirâmides de lata amassada.Mas começam a pifar. Se salva um, afinal o solitário habitante da Terra, exceto se considerarmos uma barata, o Wall-E da animação da PIXAR, um milagre técnico que contrasta com o focalizado: uma estação orbital onde a espécie humana fica morando até que o planeta volte a ser habitável.

            O filme (Wall-E) me emocionou. Quando tocam “La Vie em Rose”numa faxina é o efeito do “Danúbio Azul” na viagem à lua de “2001”. Por sinal que o filme de Kubrick é citado com um acorde do “Assim Falou Zarathrusta”.

            Wall-E faz parelha com Eve, uma sonda que os humanos obesos por fazerem o nada enviam para saber se a velha casa está OK. Romance de lataria sem frescura. Há uma cena em que o robô enferrujado e a colega zero km se tocam. As máquinas também amam. HAL, o vilão de “2001” não ensaiava uma coisa dessas. Mas “Wall-E” tem humor, tem poesia, tem técnica, tem inventividade.

            Vai estar na minha lista de melhor do ano.



Escrito por Pedro Veriano às 16h19
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O Fim dos Tempos

 

 

 

                        Uma vez apareceu em Belém um cara que dizia ser “o rei do mundo”. Lembro de que ele se re-coroou na Praça da República. E não demorou um outro dizia que o mesmo mundo ia se acabar. Nem pedia licença ao rei. No cinema, muitos filmes já profetizaram a coisa. Em “O Fim do Mundo”(When Worlds Collide), o fim era radical, com o planeta virando cinzas quando trombado por uma estrela(!). O comum, no entanto, foi o fim da humanidade  - ou de espécies de vida. Cito “Os Últimos 5”,”ON Diabo a Carne e o Mundo”, “A Ùltima Esperança da Terra”, “Eu Sou a Lenda” e até “O Planeta dos Macacos”. Agora com “O Fim dos Tempos”(The Happening), as pessoas passam a se matar sem mais nem menos. Seria uma toxina abrigada nos vegetais que o vento levaria para as narinas ou poros de todos os gêneros. Não se diz que animais irracionais também se matavam. Seria interessante ver uma tourada em que o toureiro e o touro se matassem ambos usando chifres. Mas a idéia de M. Night Shyamalan (um dos diretores mais conhecidos do público) é só mostrar o efeito e não a causa de um tropismo pela morte. A troco de quê ? Não interessa, Em “Uma Sombra que Passa”(Death Takes a Holiday) a Morte, corporificada, refelete ao ver pessoas fumando em recinto fechado: “-Como gostam de mim”. Não sei se Shyamalan viu este filme, mas o seu é um atestado de amor pela morte (como disse Mario Faustino: “não morri de mala sorte, morri de amor pela morte”). Gostar dele ou não é gostar de enigmas e de sentir medo. Sem dizer a que veio e para onde vai, o enredo não deixa de fascinar.Pena que a linguagem de cinema seja pobre. De minha parte eu preferia uma linguagem trabalhada, clássica, como a do filme que eu citei. Afinal, a morte não é moderninha: atúa desde que surgiu a vida.



Categoria: Filmes
Escrito por Pedro Veriano às 10h53
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Células Tronco

 

 

            Nave americana consegue pousar próxima a um dos pólos do ,planeta Marte e aqui ma Terra perde-se tempo discutindo-se a validade das pesquisas com células tronco.

            Dois vídeos apresentados pelo físico Stephen Hawking tratam da origem do universo, dos buracos negros, da matéria escura, da mecânica quântica. Por aqui ainda se pôs em duvida a validade de pesquisas que podem gerar uma nova terapêutica.

            Ciência e religião convivem com respeito mutuo. Quando uma quer se sobrepor à outra resulta em atraso. Felizmente o STJ deixou livre as pesquisas que já se efetuam em torno das células embrionárias, permitindo que se estude um meio de orientá-las para que venham a substituir órgãos doentes. Chega-se à uma fase em que se vislumbra uma prodigiosa dilatação da estimativa de vida. Há quem pense no homem de 200 anos. Há quem pense em congelar placentas e cordões umbilicais com os nomes dos doadores para que possam, no futuro, utilizar esse material sem pensar em rejeição de tecido.

            É preciso que se deixe a mente humana trabalhar em paz. E a ficção-cientifica aí está, sonhando com um novo mundo acima do que previu Huxley, Wells, Raymond, Clark e tantos outros futuristas.

            Deixem que se abra a caverna de Sésamo.



Escrito por Pedro Veriano às 11h08
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Angel

 

 

            Em “Angel” o diretor François Ozon mergulha fundo no brega de Douglas Sirk, contando a história de uma garota pobre, mas ambiciosa, que escreve por intuição e consegue dominar o mercado livreiro dos anos 10 na Inglaterra, enriquecendo e perdendo quase tudo quando se apaixona e chega a 1ª.Guerra Mundial.

            O filme experimenta todos os elementos do cinema de lágrimas, tão caro a nós, latinos, noutras épocas. A diferença é que os tipos não são acompanhados com amor pelos espectadores. Antipática, prepotente, a principal personagem, bem moldada pela atriz Romola Garai sofre e morre sem acompanhamento emotivo da platéia. Também seus pares podem ir para os diabos que os carreguem que ninguém se importa. Nesse patamar corre a fatalidade inerente às heroínas de romances que as mulheres disputavam em tempo de seresta.Por causa, o filme pode ser divertido, mas não percebido como o diretor quis que se percebesse: um experimento sobre o       “kitsch” nas cores da fantasia alusiva também às locações.

            Muito curioso.



Categoria: Filmes
Escrito por Pedro Veriano às 14h41
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Viva Chita!

 

 

 

            Esta eu não sabia: a Chita do Tarzan, que na verdade é o macho Jiggs, festejou (ou festejaram por ele) 76 anos. Está vivíssimo, ganhando menção no Guiness Book,por ser um raro macaco a sobreviver no cativeiro tanto tempo. Mais tempo, como se sabe, do que seus “patrões” Johnny Weissmuller(Tarzan) e Maureen O’Sullivan (Jane), há muito pulando em cipós etéreos.

Da patota que alegrava a garotada nos idos de 40/50 só tem o Johnny Sheffield, agora com 77, longe do cinema desde que foi um prodígio de  coerência ao fazer a série “Bomba”.

            Cheeta, ou, para nós. Chita, era a graça dos filmes ingênuos do herói criado por Edgar Rice Burroughs. Não se pode nem dizer que ela “só faltava falar” porque segredava no ouvido do Tarzan.

            Há uma piada gostosa sobre esta “grande atriz”: Tarzan jogava tênis de mesa com Jane e a bola caiu da casa da árvore. Tarzan pediu à macaquinha (então nos seus garbosos 15 anos): “-Chita, vá pegar bola de ping-pong”. Chita demorou e voltou toda arrebentada. Tarzan ralhou: “- Chita, Tarzan disse bola de ping-pong não bola de King Kong”.

           



Escrito por Pedro Veriano às 15h40
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O Homem de Ferro e a Mãe

 

 

            Nos cinemas Robert Downey Jr reapresenta a sua versatilidade como O Homem de Ferro. Numa cena, Stan Lee, o criador do herói nas HQs ,olha pra gente. Ri à toa.O filme abre a temporada do comércio especifico.Em seguida vem “Speed Race” e em seguida “Indiana Jones 4”. As salas para os filmes “de arte” ficam ocupadas pelas sobras nacionais. É lei. E como diz o Nazareno Tourinho, “lei é lei está acabado”. Menos o ex-governador Magalhães Barata que dizia, com razões pascalinas, que “lei é potoca”.

            Bom cinema em “Despertar de um Crime”. Caiu bem no Dia das Mães. Garota engravida e pensa que não. O parto é na privada de um ginásio. O feto é abraçado e morto. Presa, ela é consultada por uma psicóloga grávida, idosa para isso, com passado de parto mal sucedido e presente de marido infiel. Entre as duas chega a sinceridade de quem sofre. Tudo em convincentes interpretações de Amber (filha de Russ)Tamblyn e Tilda Swinton (Oscar de coadjuvante por “Contato de Risco”).. A direção é de Hilary Brougher, a mim desconhecida. Roteiro também dela. Esse tipo de filmes é cada vez mais raro nas telonas de Belém. Persiste a dieta de megaproduções americanas. E ainda falam mal das produções francesas que se exibe no Olympia. Que vive la France. Pelo menos se “o amor é mudo”(titulo em cartaz) o espectador diante dos péssimos aparelhos das casas locais, é surdo.



Categoria: Filmes
Escrito por Pedro Veriano às 16h08
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Alice e o Pesadelo

 

 

            Eu pensei que a Alice não morava mais em sua casa(filme “Alice Não Mora Mais Aqui” de Martin Scorsese). Ou que tivesse embarcado para o País das Maravilhas. Mas no filme “A Casa de Alice”, do paulista Chico Teixeira, ela, na pele da atriz  Carla Ribas, compra passagem para o País das Desventuras, corneada duas vezes, mãe de adolescentes escrotos, filha de uma vovó de almanaque que o marido sacana põe num asilo.

            L avie pás em rose no cinema que se diz realista. Mas será que o cinema deve ser realista ? E a persistência retiniana? E a faculdade de se ver o que uma equipe quer que se veja ?

            A vida no planeta, seja na Lulalandia ,seja na Bushland, seja comerciada a Euros, é dura, todos sabem. Até crianças hoje perguntam se o pai pode um  dia querer jogá-las da janela. Mas não é por isso que se deve filmar só o manancial de ódios. Eu chego a ter saudades daqueles filmes perfeitamente idiotas que mostravam odaliscas em oásis de Los Angeles, ou uma ilha dos mares do sul com Jeff Chandler feito índio, ou aqueles cow-boys imaculados que vira e torce protegiam diligencias de bandidos atuantes sempre no mesmo lugar e hora. O tempo em que o ladrão de Bagdá não usava carro-tanque e que pirata era Errol Flynn  ou, mais pra trás, Douglas Fairbanks.

            OK, o filme de Teixeira é bem feito. E daí ?O que ele me disse para ficar no coração e mente ? Uma associação de idéias leva-me ao “A Cruz dos Anos” de Leo McCarey e a sua cópia “Em Família” de Paulo Porto “via” Vianinha. Lembranças dolorosas dignas de um pesadelo.  



Categoria: Filmes
Escrito por Pedro Veriano às 15h51
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