Gritar de Raiva

 

 

 

            “O Grito 2”(Grudge 2) estréia nos EUA subindo ao pódio do box-office. Quem duvida de um terceiro grito que grite mais alto. Vendo o filme você vai encontrar as mesmas almas penadas que deveriam ter provocado gritinhos anteriores nas salas de projeção (só que ninguém ouviu esses gritos). Também os mesmos cabelos compridos dos fantasmas pegajosos (quase todos aparecem dentro ou saindo das água), e possivelmente uma carga maior de violência.

            A novidade aqui, se é que se pode chamar de novidade, é a confusão do roteiro que situa a ação simultaneamente no Japão e nos EUA, e o absoluto desprezo por uma conclusão. Na história, os espíritos malévolos atacam parentes e amigos dos que já foram atacados e prosseguem na espera de novas vitimas. Tanto que não há um fim. Qualquer espectador que procure uma solução para a maldição derramada sobre os que mexeram numa casa fechada desde que por lá aconteceu um crime, sai do cinema com cara de besta.

            O que salva o filme de uma estratégica fuga do freguês no meio da festa é observar o cuidado artesanal do diretor. Há enquadramentos muito bem feitos, e a iluminação sempre procede. Um desses enquadramentos que eu gostei mostra uma personagem tomando banho no centro do quadro e outra mais próxima da objetiva, no canto esquerdo. A ação malévola ataca quem está no lado. O moço sai do banheiro procurando a vitima. Não há movimento de câmera. Nem se deixa ver tudo o que se passou com a pessoa que desaparece. O plano médio parado endossa a profundidade de campo como recurso dramático. E brinca com isso: o que vale não é o que está no fundo do plano, mas na periferia. E vale enganando. A imagem dramática fica com o público.

            Shimizu entende do caroço. Só que está se especializando em grana. Mudou-se para Los Angeles. Sayonara bom cinema. (Pedro Veriano- em 16-10-2006)