A Dama de Shangri-la
Jane Wyatt morreu aos 96. Quando tinha 35 fez a garota que atraía o escritor vivido por Ronald Colman para o “horizonte perdido de Shangri-la”. No filme de Frank capra ela parecia ter 15. Não vendia a imagem “sexy” que já em 1937, o ano do filme, o cinema usava para vender estrelas como Jean Harlow ou Heddy Lamar. Era a mocinha que os bons mocinhos queriam para mãe de seus filhos. E Jane acabou se especializando em papéis de mãe. Lembro do sucesso por Belém de “Vida de Minha Vida”(Our Very Own/1950) onde ela acompanhava a adolescência das filhas Ann Blyth e Joan Evans, ambas disputando o galã das fitas de Samuel Goldwyn, Farley Granger. A canção-titulo vendeu muito e na época não havia critico ranheta para dizer que o arremedo de neo-realismo feito pelos americanos era pasteurizado (e era).
Sven Nyvist foi outra morte sentida. Fotografou os filmes de Ingmar Bergman desde “Noites de Circo” em 1955. Basta “Gritos e Sussurros”, com aquele vermelho-útero por sobre as mocinhas que jamais se desprenderam da mãe apesar de serem pouco afetuosas para com a irmã moribunda, basta este filme para consagrar o diretor de fotografia. Mas não foi na Suécia que brilhou. Levado para os EUA fez filmes com Woody Allen, Phlip Kaufmann, Hasse Hallstrom, Norah Ephron e outros cineastas. Eu achava difícil dirigir Sven. No “makin of” de “Fanny e Alexandre”, de Bergman, via-se como ele impunha as suas imagens ao imaginário bergmaniano.
Esses astros já estavam apagados. Mas a gente sente ao saber que não há como brilharem outra vez. Ficam os filmes. Revê-los é a alegria que dignifica o cinema, arte que vence a morte na concepção real de imagens, coisa que a literatura não possui, valendo-se sempre do imaginário de quem lê.(Pedro Veriano)
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