O Vôo da Morte

 

 

 

 

            O Boeing 757 da United Airlines que seguia de Newark para San Francisco na manhã de 11 de setembro de 2001 foi seqüestrado por quatro islâmicos que assim se juntaram a seus irmãos nos bombardeios suicida a alvos norte-americanos.

            O filme “Vôo 93”(United 93/EUA,Inglaterra,2006), do diretor inglês Paul Greengrass, reporta o seqüestro com a linguagem de documentário. Custa a crer que as seqüências sejam posadas. Com a câmera na mão o tempo todo, Greengrass imprime a aceleração das conversas na torre de comando, quando os técnicos de vôo sabem do que estava acontecendo no World Trade Center e no Pentágono (só depois se constatou o que acontecia com o quarto Boeing) e também o que se passa dentro do aparelho da United, culminando com a revolta dos passageiros contra os seqüestradores, uma confusão que se vê no enfoque jornalístico, como se a câmera estivesse sendo acionada por uma das figuras à bordo.

            Têm-se o caso como um ato de heroísmo. Na verdade as 44 pessoas que estavam no avião e souberam pelos seus celulares o que estava acontecendo noutros lugares, conscientizaram-se de que o melhor seria lutarem com alguma esperança de salvação do que aceitarem pacificamente a morte.

            O nervosismo do tema passa para a forma. É o tipo do filme que se vê sem piscar. A ação praticamente decorre no tempo da projeção, seguindo de perto os exemplos ilustres de “Matar ou Morrer” e “Punhos de Campeão”. O diretor já havia dado uma aula de docudrama (documentário dramático) em “Domingo Sangrento”(Bloody Sunday),de 2002. Tratando de uma história em que se sabe o fim, consegue provocar um suspense que leva o espectador a esquecer que aquilo foi baseado em fato real, que os passageiros não vão dominar os fanáticos seqüestradores e conseguir pousar a aeronave em um campo qualquer. Sabe-se que todo mundo vai morrer, mas poucas vezes quem vê um filme se apega com tanta garra à uma irrealidade emotiva, sem dar bola para um sentido crítico que fantasie as coisas como de praxe nos produtos de Hollywood,

            São raras as produções cinematográficas comerciais que reportam desastres aéreos com tanta profusão de detalhes e consistência artesanal. É como dizia meu tetravô: de arrepiar pentelho de recém-nascido... (Pedro Veriano)