Transamérica
Bee não nasceu com este nome. Nasceu homem. Mas desde cedo se sentiu mulher. Mesmo usando o sexo como homem quando na universidade, a ponto de deixar um filho numa colega de classe. Anos mais tarde ele, assumidamente ela, prepara-se para uma cirurgia de ablação do pênis. Vai ganhar uma falsa vulva e até mesmo uma pequena vagina. Os hormônios que toma diariamente fazem o resto. Mas nessa hora Bee sabe que o filho, já com 17 anos, está preso por uso de drogas. E o pior: a mãe morreu (suicidou-se). Começa a trama de “Transamérica”, o filme de Duncan Tucker. A nova mulher bota-se na estrada com o adolescente que não sabe que se trata de seu pai, e segue para a casa da família no interior sulista (antro do tradicionalismo americano). O rapaz não quer ir, e Bee não vê com alegria um reencontro com pai e mãe. Mas a vida continua e não se diz que tudo se ajeita no melhor dos mundos. O roteiro é duro, e fecha sem explicar como ficarão as personagens em futuro um pouco além da metragem rodada.
Vale a pena, mais do que o desenvolvimento do drama em linguagem cinematográfica simples, observar Felicity Huffman em suas nuanças de transexual. A atriz faz televisão e não se julga o seu talento pelo seriado “Desperate Housewives”. Ela e Philip Seymour Hoffman deixaram no ano excelentes desempenhos. Ele por “Capote”, exibindo trejeitos próprios do homossexual retratado. Creio que eleger esses artistas agora em dezembro é até uma obrigação dos cinéfilos locais,. E da nossa crítica. O grande problema é que “Transamérica”, o filme, foi muito mal lançado nos cinemas e por isso pouca gente viu.. Resta o DVD. E está respeitoso, editado em “widescreen”.
Procurem ver.
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