Natal é um Estado de Espirito

 

 

 

 

            Não concordo com os que dizem que não vale a pena festejar o Natal porque o mundo está muito violento. Os argumentos espraiam por sobre as guerras, os crimes diversos, a proliferação de drogas, os estupros, o desrespeito às leis e aos mais velhos. O preconceito, enfim,e ao que a mídia estampa como desumano e proclama nas ficções geradas com um objetivo comercial. E não concordo por dois motivos: primeiro, o mundo sempre foi violento. Em “2001, Uma Odisséia no Espaço” Stanley Kubrick e Arthur C. Clarke mostraram que a primeira atitude do homem ao compreender o potencial de um osso como arma, ele ainda jovem na escalada da espécie, foi de usar este osso para matar não só animais como outros homens que desejavam a água existente nas proximidades de sua caverna. Desde esse tempo o mundo não passou sem violência. Há registro estatístico de que todos os dias, em alguma parte (ou em muitas partes)do planeta, alguém é assassinado. E não existe paz. Pode ser até uma tribo brigando com outra, mas o mundo jamais se isentou de guerras. Na Idade Média, por exemplo, além das batalhas providenciadas pelos cruzados ainda havia o “troco” de pestes que consumiam sobreviventes da saga guerreira. O Renascimento propôs a evidencia da arte, mas não evitou animosidades entre nações. Não há um período da História que não seja atacado por beligerantes em ação. A ferocidade é parte do animal, mesmo o proclamado de “sapiens”.Depois há a chance de congraçamento, Uma data para se pedir desculpas e confessar amor.

            Hoje a mídia aproxima os povos. Televisão, rádio, Internet (principalmente) excluem a privacidade das nações Nos anos 1950 George Orwell viu um mal nessa infiltração de olhar e conseqüente desnudamento do ser. O seu “1984” mostrava como o futuro da técnica abrigava os males do passado sem técnica. O mundo, no entender de Orwell, como de Huxley, de Asimov, de Clarke, e tantos outros futurólogos, seria sempre igual desde que sempre habitado pelas mesmas criaturas.

            O Natal seria um hiato do Bem. As pessoas podem até mascarar hipocrisia no festejo com base no hipotético nascimento de Cristo (que se sabe não foi em 25/12).Mas até por moda, por tradição, por ser maioria, a festa persiste. E se propaga como as férias da maldade intrínseca. A paz homeopática, mas a paz. Por isso, deve ser não só festejado como ampliado.Não pensar assim é descrer na divina energia que faz o ser humano diferente. Mesmo para o ateu, um aceno divino.

            Voto no Natal. Piegas Papai Noel, sininhos, árvore enfeitada, coisa de gringo, o que seja. É uma festa de família, de união, de boas expectativas. Se for careta, visto a máscara para um carnaval anímico. A felicidade, mesmo em pequenas doses, é a melhor ambição.