Bom Ano
Um lançamento com o nome de “Bom Ano” deixa no público a idéia de que o cinema está desejando este detalhe dos votos de festas aos seus freqüentadores. E é preciso que faça isso. Em 2006 o cinema mais velho da cidade pediu penico.Não foi despejado na latrina por conta da Prefeitura que o transformou em “Espaço Municipal”. Os cinemas Castanheira não tiveram a mesma sorte. Foram devorados. No lugar deles ficou uma parte da Praça de Alimentação do shopping que os abrigava. Os cinemas 1, 2 e 3 também bateram lona. Em socorro veio o grupo Moviecom que os alugou. Sobre os seus números ficou a marca de um monopólio que corre as cidades interioranas do sudeste. E o “Libero Luxardo” ia vestir roupa nova, mas na hora de aprovar a roupa reparou que estava rasgada (haviam quebrado o espelho da lanterna do projetor), Por fim, o mastodonte Nazaré ensaiou um estado de coma. E o filme “A Era do Gelo 2” já havia passado por seu domínio sem lhe deixar numa fria.
Oportuno, portanto, desejar um “bom ano”. Mas o que houve foi uma improvável comédia romântica do diretor Ridley Scott com o não menos improvável galã de filmes de porrada Russel Crowe. Comparando, Quentin Tarantino dirigindo um filme como “Nativity” e Cary Grant de gladiador no Coliseu de Cecil B. De Mille.
O roteiro, vindo de um romance escrito por um amigo do diretor, trata de um temido corretor da Bolsa de Valores londrina que herda um vinhedo pras bandas de Marselha e por lá encontra uma garçonete amável, uma prima que desconhecia, e um motivo para compreender que gosta de outras coisas além de ganhar dinheiro.
No fim de tudo toca aquela musiquinha que recebeu por aqui uma versão jovem guarda sobre um biquíni de bolinhas amarelinho que não cabia na Ana Maria. Touché: o brega também tem o seu encanto.
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