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Blog do Veriano
 


A Garota da Vitrine

 

 

 

 

            Se não me engano este filme passou em um dos moviecachorros, digo movicãos, digo melhor, moviecom, do shopping Castranheira. Não vi, Meu preparo físico pifa quando penso em dirigir o meu fusca até Ananindeua, terra onde estão as 7 salas exibidoras. Mas não choro por isso, Vi em DVD e não acho graça pela opção. Steve Martin escreveu e deu a ele próprio o papel de um milionário na casa dos enta que vê em Claire Danes a atração sexual exposta numa loja que vende luvas. Deve ter passado pela cabeça dele o “strip-tease” de Rita Hayworth em “Gilda”, limitado ao tirar as grandes luvas pretas. Como em filme moderno, o papo da vendedora (Danes) com o freguês (Steve) termina na cama. Antes, ela, dizendo-se uma tímida filha de Ohio, já havia colocado no leito Jason Schwartzener, sujeito feio como o cão. É claro que este último, que é o primeiro, acaba casando com ela apostando-se na idade dos dois. O “velho”, embora aquinhoado, termina o filme desejando à garota “all the hapinesse that money can buy”. Sei lá, mas desde que Frederic March broxou com Kim Novak em “Crepúsculo de uma Paixão” cada transa abortada entre homem maduro e mulher verde lembra Emil Jannings cheirando o chulé de Marlene Dietrich, “o anjo azul”.

            O filme dirigido por Anand Tucker, regra-três de Steve Martin, não é ruim. Espelha uma cultura. Não pelo fato das meninas provincianas cedo darem com os burros n’água, mas pelo modo como se pode trocar o livro de cheque por uma revista do tipo “Mad”. O espectador acha uma coisa simpática, mas não engole a pílula.A bula está escrita em inglês.

            E antes que eu me esqueça: deseje ao seu inimigo boas festas recomendando a  ele Xuxa em duplo (“Irmãs Gêmeas”), Antes, deixe o cara ver “Adrenalina”. Se ele sair atirando na platéia tudo bem. Ninguém é de ferro.



Categoria: Filmes
Escrito por Pedro Veriano às 15h05
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A Nossa Cultura Importada

 

 

 

 

            Quando eu era criança ouvia os nomes em francês como provas de bom gosto. Motorista era “chauffeur”, dito chofer, cardápio era “menu”, servente era “garçon”,andar alinhado era “chique”, casa de encontros furtivos era “rendez-vous”, comédia ligeira era “vaudeville”, casas comerciais podiam se chamar “Bom Marche”, “Café Chique”, “Paris N’America”, vesperais chamava-se “matinê” e reuniões noturnas “soirée”.

            Filho de boa família tinha de arranhar um pouco a língua de Chateaubriand. Poucos anos haviam se passado do tempo da borracha, desde que o norte brasileiro nadava em ouro e tinha alcova de cetim  (como cantava Vicente Celestino) . Já não se mandava a prole estudar na Europa, mas se exigia uma postura de cavalheiro. Já espocara a 2ª.Guerra mundial, mas ainda assim os bons burgueses fechavam os olhos para a França de Vichy e cultivavam a imagem de uma Paris da virada do século (do XIX para o XX).

            Logo o cinema mudou o disco. A molecada da minha rua não perdia um episódio de seriado de aventuras e nas esquinas brincava de bandido apontando os revólveres de lata aos gritos “-Camone boi”.

            No fim dos 40 os ídolos já eram os cow-boys do cinema e os heróis mascarados dos quadrinhos. Tudo norte-americano com certeza. A gente aprendia que o Fantasma Voador era interpretado por Tom Tiler (Tom Tyler), e o espadachim de “O Cisne Negro” chamava-se Tirone Povér (Tyrone Power). Nesse tempo os cômicos Jararaca e Ratinho lançaram um disco de 78 rpm chamado “Amor Cinematográfico” e um dos trechos mais engraçados dizia a propósito de Bárbara Stanwyck: “- Que está no uísque o quê, compadre! Tem artista que só gosta de caninha. Quando eles chegaram aqui estava passando aquela fita do Jeff e todo mundo gritou “Nós queremos ver Mutt”(a propósito da dupla dos gibis Mutt e Jeff), e um sujeito gritou em resposta: “Vermute nada, o gin que é pura” (Jan Kiepura, tenor que fez o papel de galã em filmes como “Uma Noite na Opera” com os irmãos Marx).

            Nunca mais o inglês nos deixou. Hoje nas barracas de praia, na ilha do Mosqueiro, eu vejo sempre placas do tipo “Barbudo’s”, ou “Chico’s”. Yes, nós espique inglis. Os filmes de TV não são mais traduzidos. Camisas de meia são vendidas com dizeres que os donos desconhecem. Já estão trocando “legal” por “cool”. Já não se ama, se fica “in love”.

            A última piada brasileira foi a de um português que resolveu o problema do trafego aéreo colocando um semáforo nas nuvens. Mas isto já é outra coisa. Nas anedotas prosseguimos nacionalistas. Ou até xenófobos.



Categoria: Crônicas
Escrito por Pedro Veriano às 15h56
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BOM DIA, NOITE

 

 

 

 

            O seqüestro e morte do ministro Aldo Moro, líder do Partido Democrata Cristão da Itália, já deu um documentário de TV norte-americano. Agora serve a um filme de Marco Bellochio, velho esquerdista que não deixava passar uma brecha em celulóide para demonstrar a sua posição ideológica.

            “Bom Dia, Noite”, nome que deriva de um verso de Emily Dickinson, focaliza o período em que Moro esteve preso pelos membros da facção stalinista “Brigada Vermelha”, detendo-se nos sucessivos pedidos que ele faz, por escrito, a quem teria chance de libertá-lo, até o momento em que é morto.

            Eu vivi o tempo dos fatos e no meio intelectual daqui (em compasso de ditadura) e alhures, era politicamente certo o que faziam os defensores de uma utópica “ditadura do proletariado”. Moro seria sacrificado pelos “amigos do povo”. Bellochio não faria o mesmo filme nessa época Hoje o desencanto levou a um finale fantástico em que se vê o prisioneiro perdoado (ou fugido), andando calmamente pelas ruas de Roma. A seqüência confunde-se com um sonho de Chiara (Maya Sensa),a terrorista de coração mole. O autor do filme (e pode se chamar assim, pois Bellochio escreveu o roteiro com Ana Laura Braghetti) quer que a imagem do democrata cristão permaneça. Como permaneceu, engrandecendo-se depois da uma desastrosa administração de esquerda no país (Ettore Scola tratou disso em “Mario, Maria e Mario”). 

            Em linguagem marcada pela cadência, pela calma, o cineasta arranha as marcas de um documentário com alusões românticas de sua intérprete feminina. Mas não contamina fatalmente o lado político. A mascara de Roberto Herlitzka como Moro encerra todo o drama do homem sério, de bons propósitos, julgado por quem não passaria incólume num julgamento justo. Pelo menos é o que se vê. As razões contrárias não são expostas. Por mais que os homens da “Brigada” sejam vistos sem arroubos de carniceiros como os vilões de tantos filmes, eles parecem hesitantes, ingênuos, bobos sectários como tantos em um tempo. Afinal, o fim, no caso, justifica os meios, ou seja, o que se fez como arma de combate é tão estúpido quanto um avião por sobre um prédio.

            Bellochio hoje afirma que terrorismo é arma de covardes. Ontem talvez advogasse a razão de “punhos cerrrados”. Mas não há História sem tempo. E o filme é bom por fazer disso a sua bandeira.



Categoria: Filmes
Escrito por Pedro Veriano às 15h52
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