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Blog do Veriano
 


A Felicidade Filmada

Cinema no Natal é principalmente “A Felicidade Não Se Compra”, o filme de Frank Capra que neste dezembro faz 60 anos. Capra não realizou o filme, que por sinal marca a sua volta depois de 4 anos, tempo em que esteve filmando a 2ª.guerra mundial, para entrar nas comemorações natalinas. Acertou por tabela. Na obra de Capra não tem Papai Noel. Tem papai. É George Bailey (Stewart), o boa praça de uma pequena cidade (Bedford Falls, tão mítica quanto a Insifree de John Ford), a vida inteira sacrificando-se pelos outros, agarrado como carrapato à mulher, Mary(Donna Reed) e aos filhos (Karolyn Grimes, Larry Simms, Jimmy Hawkins e Carol Cooms). Substituindo o pai (Samuel Hinds) numa imobiliária, vê-se desde cedo alvo do usurário Henry F, Potter(Lionel Barrymore) e justamente na noite de Natal descobre um desfalque nas contas da empresa (culpa de Potter)e decide que o passo mais curto é acabar com a vida. Mas quem está no cinema sabe de seus problemas e sabe que do céu os anjos viram tudo e convocam o de sua guarda, um relojoeiro quando na passagem terrena, Clarence Odbody (Henry Travers e suas sobrancelhas brancas). Este anjo, é convidado a ver num brilhante flash-back tudo sobre o seu protegido, descendo do céu para dissuadir George de mergulhar nas águas geladas das proximidades. Os minutos restantes são modulados pelo clima de Natal. O quase suicida vê como faria falta se não tivesse nascido e todas as pessoas que aprendeu a conhecer unem-se primeiro em preces depois em mutirão financeiro para ajudá-lo. O nome do filme em português é dos raros que suplanta o original. Vejam: de “É Uma Vida Maravilhosa”(It’s a Wonderful Life) para “A Felicidade não se Compra”. Se o autor fosse Assis Valente diria que é balela, que “felicidade é um brinquedo que não tem”. Valente compôs o nosso “hino natalino” ( a marcha “Boas Festas”) e acabou sem anjo da guarda, ingerindo formicida numa rua do Rio. O filme de Capra, vindo de um cartão de festas de Philip Van Doren Stern, aposta que felicidade tem. Está na família. Como o Natal está na família. Sendo o homem um ser social mesmo que se diga um eremita declamando “o meu amigo é o meu umbigo, que quando morro, morre comigo”, ele quer alguém para responder as suas perguntas. Quer alguém mesmo que seja para brigar. Por isso o filme encerra com uma frase: ”Quem tem amigos não conhece o fracasso”..

            Eu revejo “A Felicidade Não Se Compra” todos os anos, nessa época. É a minha árvore de Natal, carregada de boas lembranças. Através dele eu desejo aos que me vêem semanalmente dessa janela, agraciado pela bondade da Luzia, todo o otimismo do cineasta, toda a magia da festa que encerra o filme, a meu ver a mais exuberante das apoteoses filmadas.  

 (Parte da coluna "Panorama" de O Liberal de 23/12/06



Categoria: Crônicas
Escrito por Pedro Veriano às 15h57
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Cinema em 2006-I

 

 

 

 

            O melhor filme do ano foi “Match Point”(Ponto Final) de Woody Allen. Conto por mim, que não sou dono nem patrocinador da verdade. Há quem ache que o filme é “Xuxa Gêmeas”, ou “O Cavaleiro Didi e a Princesa Lili”. Também há quem vote nas duas pedras de gelo num copo d’água oferecido pelo Daniel Filho. Por outro lado, aos que apostam em “Caché” eu digo “touché”. O filme valeu. Como valeu descobrir que Tommy Lee Jones dirige bem um western, e Felicity Hufman é uma puta de uma atriz. Só o plano dela sentando-se de perna aberta, como macho, diz do melhor em “Transamérica”,road-movie em torno de uma garota que nasceu com  saco e cheio.

            Mas em termos de desempenho é impossível negar que o ano foi de Philip Seymour Hoffman. O seu Truman Capote espantaria o próprio, se vivo fosse e se olhasse no espelho. As desmunhecadas numa festa soçaite são fantásticas. Se o ator não fizesse o bandido de “Missão Impossível 3” eu pensaria que ele “é” assim mesmo.

            Não foi um ano porreta, a começar pelo fechamento de 3 cinemas (o Olímpia ressuscitou não como Lazaro mas como personagem de Wes Craven) e a troca de roupa de 3 outros. Troca de calça “jean” por tanga. Enfim, como cantou Oscarito, “a burrice/ hoje em dia é um direito, /que é burro tem de tudo/e é tratado com respeito” (e o refrão: “viva a burrice!”). Sábias e saudosas chanchadas que mostravam a cara do brasileiro e ele esnobava dizendo que musical da Metro era melhor.

            Bem, ainda não é o meu balanço. O blog não se acanha em desejar aos seus leitores um Feliz Natal. Não há lugar-comum mais agradável.  

           



Categoria: Filmes
Escrito por Pedro Veriano às 15h49
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Bond, James Bond

 

 

BOND, JAMES BOND

 

            James (007) Bond é filho dileto da “guerra fria”. John Kennedy disse que gostava das histórias de Ian Fleming na época em que Kruschev instalava mísseis em Cuba. A guerra tendia a derreter. Não chegou a isso. Na verdade congelou e acabou como sorvete lambido por Gorbachev e Reagan. Mas o herói de Fleming persistiu. Graças a Harry Saltzman, Albert Broccoli e a United Artists. De 1961 até hoje a média foi de quase um filme bianual. Saiu caixas de DVD com toda a série. Haja grana do fã!

            “Cassino Royale” versão 2006 espelha o modo de Bond continuar no trilho. Violência acima da fantasia, menos charme do galã, menos chance ao sexo.Os produtores já se foram, a coisa é de herança, e Daniel Craig é o mais feio dos mocinhos a serviço da espionagem inglesa. Pouco sob o sol, mas o efeito financeiro espantoso quando se sabe que o herói repisa a sua invulnerabilidade há 45 anos. Só Tarzan durou tanto.

            Bem, com a visão descompromissada do novo James Bond o ano de cinema chega ao fim. Desculpem: estréia “Didi e Princesa Lili”. E um tal de “Eragon” que na língua do nosso caboclo pode ser “Eras, Gon” (ou “Égua, Gon”). O primeiro titulo recomenda-se aos masoquistas em estado de (des) graça. O segundo aos eternos bebês que juram crer em dragões como em Papai Noel. Quando estiverem mais velhos hão de crer em leões dos impostos e benesses de socialistas a quem já é rico.

            O que rendeu o ano? Fechamento do pioneiro Olympia (reabriu, mas não é a mesma coisa), fechamento dos cinemas Castanheira 1  e 2, fechamento da locadora de vídeo Cinema 4, fechamento dos cinemas 1, 2 e 3 reabertos pelo grupo Moviecom com o que possa dar dinheiro, o Brasil perdendo a Copa do Mundo, e sei lá quantas cagadas mais (eu pessoalmente perdi uma casa para um gatuno que lá entrou, escondendo-me covardemente num poleiro).

            Eu gosto de festejar entrada de ano não pelo que chega, mas pelo que sai. Este ano eu, se pudesse, ficava de porre. Mas não sou suicida. Benzo com galinho de arruda a urucubaca em agonia. Vôte cobra d’água, que realmente venha a bonança depois da tempestade.



Categoria: Crônicas
Escrito por Pedro Veriano às 15h48
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