`Medo e Obsessão
Dois filmes lançados agora em DVD mostram como o norte-americano pirou com essa história de terrorismo.. Em “Medo e Obsessão”(Land of Plenty), o cineasta alemão Win Wenders (“Asas do Desejo”, “Paris,Texas”) focaliza um ex-mariner de passagem pelo Vietnam,Paul (John Diehi), observando de uma caminhonete equipada com modernos sistemas de imagem e som, árabes suspeitos nas ruas de Los Angeles. Quando a sua sobrinha Lana (Michelle Wiliams), nascida em Ohio, mas criada em Tel-Aviv, chega a seu encontro, a paranóia do espião passa a virar piada. Ele descobre que uma investigação trabalhosa sobre a morte de um mendigo muçulmano, nada mais é do que um dos muitos casos de gente que morre nas ruas pelas mãos de americanos xenófobos. Longe do terreiro de Osama Bin-Laden.
Wenders diz no bônus do DVD que essa história de “sonho americano” já era. Hoje qualquer moleque dos EUA se desencantou dessa coisa de terra das grandes oportunidades ou de plena liberdade. O medo é o tom. Melhor, o medo é “cool”.
O outro filme, ”Esperança e Preconceito”(Sorry,Haters) é ainda pior. Uma executiva com dor de cotovelo (o marido teria trocado ela por uma colega de escritório) pega um táxi dirigido por um muçulmano. Passa a noite correndo ruas de New York. Interessa-se pela vida do motorista, no caso a luta que ele trava para trazer um irmão médico para os EUA e proteger a cunhada e o sobrinho. Quando amanhece o dia a moça revela-se uma tirana. Não só rouba a verba que o rapaz tinha para a passagem do irmão como manda prender a parenta dele e a criança como suspeitos de terrorismo No fim das contas, atira o citado para dentro de um banco com uma bomba e o dinheiro que lhe devia.
Com esses exemplos a propaganda negativa que o cinema está fazendo da América do Norte leva a um desvio muito sério na sua atração turística. Eu, pelo menos, não pretendo ir por lá nem como fantasma. O que se propaga é que o americano médio pós-11/09/01 desconfia, agora, até do rabo de seu cachorro quando está abanando. Paranóia mais evidente do que a do tempo da guerra fria, quando se exportava a idéia de que podia haver comunista debaixo da cama. Até por aqui (eu conheci um desses malucos).
Win Wenders é um chato, mas é um intelectual que sabe das coisas. O colega dele Jeff Stanzler, que fez “Esperança e Preconceito” é puto novo. Foi execrado pelos seus patrícios. Perguntaram que diabos ele viu no arquétipo da maluquinha que justifica o titulo original do filme: “Desculpem, inimigos”.O rapaz parece ter sido vacinado contra a patriotada que os republicanos de Bush entronizaram. Um estranho no ninho.. Enquanto esses críticos existirem, tudo menos mal. O diabo é que eles não vendem suas idéias e mercadorias. O que dá dinheiro em cinema é “O Motoqueiro Fantasma”,um Fausto americano que faz literalmente o diabo em sua motocicleta. Quem sabe numa próxima aventura procurará um vilão paquistanês, libanês, ou o próprio “Ladrão Bagdá”.
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