Viajando no Tempo
Em criança eu não só lia nas histórias de Lobato(Monteiro) como ouvia dos mais velhos um final drástico de narrativas: “-Entrou por uma porta, saiu por outra, e quem quiser que conte outra”. Era um modo de despachar o leitor ou ouvinte. A cara da Emilia de Rabicó, mas certamente uma sentença de muito antes da boneca de pano: o ponto final das contadoras, sábias iletradas que não queriam perder tempo em continuações e/ou explicações.
O “Buraco de Minhoca” parece o correspondente astronômico dessas fugas de assunto. Os cientistas acham que se você conseguisse entrar num buraco negro, poderia sair em outro, numa galáxia distante, e com isso viajar no tempo – já que nesse intervalo de espaço a dimensão tempo existiria.
Infelizmente os escritores de ficção-cientifica, de um modo geral, são muito apressados para tratar de minhocas tão distantes. Preferem muito mais encher de outras minhocas as cabeças de seus leitores. J. Mackye Gruber e Erin Bress, autores de “O Efeito Borboleta”, pensaram numa viagem pelo tempo através da materialização da memória, ou seja, um fato pensado passava a ser um fenômeno físico e, como tal, a pessoa iría para o passado desde que pensasse nisso. Esses autores, que chegaram a dirigir um filme muito curioso sobre o assunto, trataram do “paradoxo temporal” de forma confusa, mesmo iniciando um acerto de ponteiros quando, pela primeira vez, o principal personagem vê-se aquém de sua realidade. Quando eles dissertam sobre a realidade paralela que o herói cria quando mexe em fatos passados, eles começam mudando o presente, como seria de se esperar já que uma realidade opôs-se à outra. Mas há “cochilos”. A base dos autores é o titulo da trama, inspirado na Teoria do Caos: o bater das asas de uma borboleta na América do Norte gera uma tempestade na Ásia.
Mais curioso é o livro “A Patrulha do Tempo” que deu margem a um episódio da série de TV “Além da Imaginação”(Twilight Zone) a cargo de Richard Matheson.
Trata de uma expedição ao passado que tenta evitar a concepção de Hitler. Claro que não dá certo. Mas todas essas histórias desprezam o “Buraco de Minhoca”. O melhor nesse canto da sci-fi ainda está com Arthur C. Clarke numa licença física quando descreve os astronautas de seu “A Sentinela”(futuro “2001, Uma Odisséia no Espaço”) entrando numa espécie de “rachadura” do espaço (ou um “mini” buraco negro) a caminho de Jupiter. Aí são transportados para uma trégua temporal, onde ajudam a concepção de um feto inspirado no super-homem nietzscheano (não à toa, no filme, entrar “Also Sprach Zarathustra”de Richard Strauss). Essa concepção evoca um efeito poético para um pulo maior na evolução humana que a história trata desde quando um gorila toca no monólito plantado na Terra por deuses não cultuados (seriam, segundo Clarke, ets infinitamente superiores aos humanos).
O tema é vasto.Como está em cartaz um filme chamado “Déja Vu”, uma derivada da viagem no tempo mais para H. G. Wells pretendo continuar pescando com esse tipo de minhoca..
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