Pecados Intimos

 

 

 

            Numa cidade pequena, seja nos EUA, aqui ou acolá, os dramas focalizados no filme “Pecados Íntimos”, cujo maior pecado é de quem deu esse nome a “Little Children”(Criancinhas), são, como dizia o velho Zé Trindade, de lascar.

            Sarah é casada com Richard, mas namora Brad que é casado com Kathy. O senhor Richard prefere se masturbar diante do monitor de seu micro, vendo uma garota de programa virtual, a comer o prato de casa. Kathy trabalha tanto que não dá uma brecha para sexo com Brad. Por fora corre Haley, um pedófilo que passou anos na cadeia e volta à casa materna para felicidade desta e infelicidade dos demais habitantes. Se um dia Ronnie arranja uma namorada, ele não se contém e se masturba no carro, ao lado dela. Dirá o espectador: “Richard faz o mesmo”. Mas Richard é executivo de sucesso e bem casado, com uma filha menor. Do outro lado, Brad passa o dia pajeando o filhote Aaron. A dança acaba com a quase ruptura dos casais e uma solução cruenta para o pedófilo. Em “Beleza Americana” o patriarca também era tarado. A diferença neste filme de Todd Fields (o diretor de “Entre 4 Paredes”) é que há um bom cuidado de construção de tipos, uma narrativa, ajudada por uma voz em “off” fluente, e ótimos atores.

            O filme candidatou Kate Winslet ao Oscar (perdeu para Hellen Mirren), Também candidatou o roteiro de Fields e do autor do livro original, Tom Perrotta. Todos bem. Mas deixou passar Ronnie McGorvey, o ex-presidiário. E olhem que o rapaz dá um banho. É maluquinho de cara. E sabe desviar a atenção para a piedade, sem que isso macule o filme com um daqueles borrões róseos que marcavam exemplares afins noutras épocas.

            Bom programa. Péssimo lançamento em Belém, em duas sessões noturnas de um dos movicães, ex- Cinema 1.