Borat

 

 

            Para avacalhar com o “american way of life” o comediante Sacha Baron Cohen e o cineasta Larry Charles fizeram a comédia “Borat, O Segundo Melhor Repoter do Glorioso País Cazaquistão Viaja para a América”.

            Basicamente é um jornalista da TV de uma cidade do Cazaquistão que vai para os EUA fazer um documentário sobre o povo norte-americano. Mas tudo é precário: do lugar onde mora o repórter, aos seus conterrâneos e parentes. Mesmo assim ele arranja passaporte e passagem para seguir rumo aos EUA, desembarcando no aeroporto de NY sem ser importunado por “ter a cara de terrorista” (fosse brasileiro talvez mofasse por lá na revista de bagagem e o mais).

            A graça é justamente a tarefa do sr.Borat. Vai de uma loja onde pergunta “qual é a arma boa para matar judeu”, a uma versão do hino de sua terra com a melodia do hino norte-americano. E há grossuras escatológicas como a visita a um sanitário com licença de senhoras da alta roda para, à saída, perguntar o local para onde deve levar as fezes, agasalhadas em um saco.

            O que deve incomodar é útil na linha do roteiro. Até um papo com adolescentes que se mostram mais afáveis do que personas gratas da sociedade de NY. Mas o que pontua a piada que se pensa ser o filme inteiro (enganosamente) é o fato do herói levar para a sua terra, como esposa(a dele, obesa, morre), uma prostituta negra e tão gorda quanto a falecida.

            Há do que rir, mas se os ianques riram mais (há coisas que só eles absorvem) é porque usaram do efeito mimético. Afinal, cada um sabe a merda que caga.