Filme Falado,Aranha e Sci-Fi
Em “Um Filme Falado” o cineasta Manoel de Oliveira, recordista de longevidade (está com 98),mostra uma babel em mesa de bar. É dentro de um navio, e o comandante fala inglês(John Malkovich), a dama com mais cara de dama fala francês(Catherine Deneuve), a que fala mais alto parla italiano (Stefania Sandrelli) e a que mais reclama traça grego (Irene Papas). Não importa: todos se entendem. Noutro espaço,a “tia” Isabel da Silveira ensina à pequena Filipa um pouco da civilização ao longo do Mediterrâneo. Mas essas personagens que contabilizam a cultura ocidental através dos séculos não escapam de um naufrágio fomentado por um terrorista. Nada mais atual nada mais feliz como síntese de um tempo. É, a meu ver, o momento mais lúcido do velho Manoel, cineasta que dá um doce para fazer cinema-cabeça.
Já “O Homem Aranha 3” é o reverso. Quando se propõe a dizer que até os heróis sofrem quando caem em crise narcisista, o diretor Sam Raimi lança contra ele três vilões e ainda checa o romance crônico com um Ricardão disponível.
O filme é longo, caro e chato. Para quem pensa que efeito especial prende quem fica em cinema por mais de duas horas e meia chega a ser surpreendente algumas criticas que evidenciam esses enganos.
No vídeo revejo “Odisséia Para Além do Sol” de Robert Parrish. Atrás do “astro-rei”, numa órbita perfeitamente antagônica à da Terra, está um planeta calcado na Terra do Espelho de Lewis Carrol. Quando um astronauta daqui vai para lá, o de lá vem para cá. A troca só é sentida quando o viajante percebe que tudo está invertido. A correção seria refazer a viagem. Mas há um desastre, quase todo mundo morre, e o cientista que sobra acaba num hospício. O fim é um prodígio: ele se lança de cadeira de rodas para frente de um espelho. Apesar de feito no esquema industrial padrão é das mais inteligentes “sci-fi” de antes dos computadores tomarem o gênero de assalto. Vi de VHS para DVD na minha mania de resgatar o que gravei em tantos anos. Ainda não foi editado em disco digital, nem nos EUA. Pena.
Escrito por Pedro Veriano às 13h32
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