Férias em Cinema
FÉRIAS DE CINEMA
Realmente estamos em período de férias. Mas não é só hiato de trabalho pra quem pode e a praia pra quem gosta de barulho. Também é folga de cinema. Pensando bem, este ano a folga é gigantesca. Você que gosta de bons filmes já contou quantos realmente bons conseguiu ver na tela grande desde janeiro? Lembro de um ano em que, na eleição dos dez melhores, um colega da critica votou só em 6 títulos. Podia ser exagero, mas hoje não deixa dúvida. Com o monopólio do circuito comercial e a dificuldade do alternativo em locar cópias, cabe mais do que nunca o slogan do Grupo Ribeiro: “cinema é a maior diversão”. Só que eu tiro o “maior”. E discuto o que se entende por diversão. Afinal, divertir não é sinônimo de alienar, ou, na expressão mais simples, de emburrecer. Há meios inteligentes de estimular os neurônios.
Esta semana eu só vi “O Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado”. Não dormi nem olhei para o relógio. Ora vivas! Há comédia olhando para O Coisa (o melhor dos quatro heróis) e há metacinema ou metaquadrinho na cena em que Stan Lee , o “pai” da Marvel Comics (editora desses “fantásticos”), é barrado na entrada do casamento do Sr. Fantástico com a Mulher Invisível. E pensando bem, Lee relaxa e goza com idéias do tipo mulher Invisível e tocha humana. Já pensaram o macho pegar fogo durante o orgasmo ou a mulher desaparecer no ato ? Isto sem falar no Homem de Borracha que se estica quando quer.
No mais, vi 15 minutos de “O Baixio das Bestas”. Deixei o cinema mais por conta do som. Não estava ouvindo as falas. Tudo bem que minha audição não é mais a de um menino, mas a companheira ao lado também não ouvia. E as imagens elaboradas, como a seqüência inicial de um afastamento lento de câmera a partir de um médio plano do avô ordenando a neta se despir para marmanjos se masturbarem, representam o de pior que existe em termos de gosto. Reproduzir o lixo de forma explicita é deixar mais lixo. O cinema inteligente sugere: o que afronta com a explicitude é o sensacionalismo, ou o que não acha um caminho melhor (e às vezes mais contundente) para se expressar.
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Escrito por Pedro Veriano às 15h23
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