Cinema sem Bergman
ADEUS, BERGMAN
Ingmar Bergman se foi poucos dias depois de emplacar 89. Morreu em Faro, a sua ilha, a sua Insfree ou Shagri-la. Um dia mele mandou o cinema à merda, dizendo de quanto a direção de filmes o estressava, fazia mal à sua colite. Ficou fazendo TV, onde via logo o que foi feito na própria câmera e trabalhava a edição apertando botões na “ilha” ao invés de usar tesoura e cola na velha moviola.
Bergman é referência de cinema. Lembro quando Orlando Costa criou o cineclube “Os Espectadores”, dizendo-me que era hora de se ver filmes de Bergman. Ele queria dizer de se ver bons filmes, não a praga da Pel-Mex, o trem da burrice nas salas dessa época. Depois, eu mesmo chefiando cineclube aluguei os Bergman disponíveis. Era uma honra quebrar a mola da minha Rural-Willis com latas dos filmes desse mestre sueco. E só vendo como o pessoal que pedia cinema se comoveu com os “gritos e sussurros” das mulheres do harém bergmaniano!
Penso que agora o cineasta perdeu a partida de xadrez com a morte. Ele que tanto viu o fim da vida em seus filmes, agora foi ao fato. E o pior: não deixou herdeiro.O cinema simplificou-se aos velhos almanaques de farmácia. As personas viraram caretas. E a gente que ature, feliz apenas porque o que Bergman deixou existe na locadora mais próxima ou na estante dos corsários.
Paz à energia que fugiu dom corpo do cineasta.
Escrito por Pedro Veriano às 14h41
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