Mudanças
CINEMA DIGITAL EM BELÉM
Há 30 anos a gente brincava com quem ia tirar um retrato: “-Olha que nesta merda não tem filme...” Hoje não tem mesmo. As câmeras se controlam ao sabor da luz e registram imagens em pontos ou linhas –a serem decodificados. Penso quando eu filmei pela primeira vez, em 1951, e me disseram que tinha de usar fotômetro senão o filme saia escuro. De fato, quem não soubesse que diabos eram”asa”,diafragma, telêmetro, dançava feio ao tentar registrar um momento da vida.
A mudança de tempo segue com os cinemas deixando os prédios pelas salas pequenas de shoppings, os horários das sessões deixando de ser corridos e voltando ao tempo da sessão fechada, e as dublagens ameaçam as trilhas originais dos filmes para adultos.
Além das mudanças, o espaço das estrelas perde brilho. Morreram este mês (setembro) o cineasta Mário Carneiro, hábil na câmera, e a atriz Jane Wyman, especialista em fazer platéia chorar em papéis de mãe, de solteirona convicta ou, no caso que lhe deu um Oscar, de surda-muda violentada.
Ir ao cinema deixou de ser um prazer até pela distância que salas lançadoras distam do centro..E a falta se segurança nas ruas impede visitas a sessões noturnas. Resta, enfim, o cinema digital caseiro, o filme gravado em DVD. Este é o meu novo Bandeirante, cineminha 16mm da garagem de casa onde vivi tantas horas alegres.
Escrito por Pedro Veriano às 14h45
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As Estrelas Morrem
Escrito por Pedro Veriano às 14h08
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