Casa da Praia
Há 60 anos, meu pai comprou uma casa na praia do Farol, na ilha do Mosqueiro. Ali eu cresci. Se fosse contar todas as experiências de vida adquiridas nesse beira rio plantado chegaria a um volume de antologia. Infelizmente eu sou preguiçoso e não creio que os fatos interessem aos que procurem o blog mais por conta do meu vicio por cinema. Aliás, na tipificação natural que fazem das pessoas, eu sou cinema. Ninguém liga se no caso faço a vez do mr. Hyde de Stevenson, deixando o dr. Jeckyll para outra platéia. Enfim, essa história de tipificação às vezes é engraçada. Há quem me chame “o Pedro do fusca”. Tenho um, tive um, e mais para trás mais um.
Bem, no Mosqueiro eu fiz e mostrei cinema. Como vi estrelas que não eram de Hollywood na luneta do meu irmão, uma Vasconcelos de 80x de aumento máximo. As estrelas de cinema eu as projetava no muro de casa com o projetor na rua e numa escola que hoje é mercado (no Chapéu Virado) e foi cinema por dois julhos(de 1955 e 1957). Com a câmera na mão e idéias na cabeça fiz filmes em 16mm como “O Salva Vidas”, piada em que um desses profissionais era tão formal que vestia paletó e gravata para salvar afogantes, “O Visitante Misterioso”, um et que andava pela praia (e por sinal que vi um óvni em 73), e ainda “O Vendedor de Pirulitos”, história de um garoto que vendia doces na praia e era atacado por filhinhos de papai (se consolava quando um papagaio “chinava” perto dele).
Esta mensagem é para a casa N. S. de Fátima que ainda é da família (agora minha). Je vous salue Marie, sem Godard para por açúcar preto na festa.
Escrito por Pedro Veriano às 16h10
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