Os Retornados

 

 

            Os mortos voltam, mas não necessariamente em carne e osso. Em “Os Retornados”(Lês Devenants/França,2004) o cineasta Robin Campillo usa defuntos de até 10 anos para realçar a tese de que a memória é bem e mal. O bem porque se liga a afetividade e muitas vezes sentimos bem estar lembrando fatos alegres de um passado não obrigatoriamente muito distante. O mal porque muita vezes a memória fere ações presentes, incutindo o medo vestido de prevenção (você não vai nadar no meio do rio com medo de morrer afogado como uma pessoa que conheceu).

            Uma defunta agrada o marido que chorou a sua morte pedindo-lhe carinhosamente, na hora de um ataque cardíaco, que ele não resista (à vida), que a siga(na morte). Um garoto ressuscitado quer se reunir com os colegas de cemitário mas os pais temem voltar a perdê-lo. Ele se atira do alto de um prédio,  Não morre de novo, mas exibe um protesto. E o engenheiro que controi uma usina no subsolo despede-se da amada mergulhando na terra. Ela não o segue, apesar do amor.

            Um filme rico, o que é raro hoje em dia quando cinema é feito por cabeças ocas do tipo cofre de moedas. Não é um espetáculo, não é um desfile de zombies como os títulos de George A. Romero. É uma curiosa e instigante licença de imaginação por sobre temas que vão de “foi ao ar perdeu o lugar” ao “o que passou, passou”.