Mulheres que choram

 

 

             Atrizes choram sem precisar de casca de cebola. Na cerimônia de entrega dos Oscar-2008, a 80ªda safra, a francesa Marion Cotillard e a norte-americana Diablo Canyon, imitaram os bezerros desmamados de nosso folclore. Marion nem precisava de tanto espanto: tinha em casa um Globo de Ouro e um BAFTA, prêmio inglês, e já arrumava espaço para um César, prêmio de sua terra natal. Mas a sua Edith Piaf do filme “La Môme” (Piaf, Um Hino ao Amor) realmente convenceu. Eu que só vi a cara da cantora francesa nos filmes “Se Versalhes Falasse...” e  “French Can Can”  achei Marion escrita e escarrada. Além da semelhança física, uma entrega total ao papel, gerando momentos sublimes. Nem era preciso chorar por Oscar. Chorar seria se fosse preterida.

            Diablo abandonou o inferno de quando era “stripper”. Iniciando nova vida como roteirista, foi simples no ver uma adolescente que engravida de uma só transa com o colega-namorado. “Juno”, o filme, ganhou a simpatia do público que pagou o triplo do custo da produção só nos EUA. Também não precisava chorar. Devia rir, dar gargalhada de boca a orelha como a Fafá.

            Essas meninas fizeram da premiação do cinema americano um programa aplaudível. Valeu minha vigília (eu que durmo às 23h).