Exemplos
Dizia-se de Charles Chaplin quando ele escreveu uma volumosa autobiografia citando deus e o mundo menos seus assessores modestos. Carlitos sofria o diabo para ver uma florista cega sorrir quando pudesse voltar a ver por graça dele. Também pegava com os dedos os cantos dos lábios de Paulette Godard, que foi sua mulher, pedindo um sorriso como resposta ao desemprego (dela e dele). Sempre foi, no cinema, um homem bom. Mas na vida real fazia orgias homéricas (Buñuel conta em suas memórias que ele encomendara 2 garotas para uma farra com o amigo espanhol e acabava fugindo com as duas), foi levado a tribunal por uma de suas estrelas que se dizia mãe de um seu filho, foi ameaçado de prisão por sonegação fiscal, enfim deu-se bem com um roteiro de Orson Welles (“Monsieur Verdoux”) que só não prestou contas ao autor porque o sabido Welles já tinha feito pior com Herman Mankiewicz, roteirista de “Cidadão Kane”.
Mas o fim do filme “Onde Os Fracos Não Tem Vez”, dono do Oscar-2008, mostra um xerife pensando na violência do mundo atual, na desumanidade crescente que transformou o oeste norte-americano, antes uma espécie de Olimpo do cinema, em cenário de outro gênero cinematográfico: o filme de gangster. Noutro oscarizado, “Sangue Negro”, o arquétipo do capitalismo, um João-ninguém alçado ao clube dos milionários explorando petróleo, não hesita em matar, roubar e humilhar para manter seu status.
Felizmente esses tipos não dizem o que fazem. Preferem que a platéia se banhe de realidade parta poder sonhar. Será o melhor? Ou enganar é uma forma cavalheira de relaxar quem vive tenso no planeta cada vez menor ? .
Escrito por Pedro Veriano às 15h14
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