Olympia,96 anos
O que o cinema Olympia me recorda? Muito dos quase 70 de freqüência. Comecei indo ver os desenhos Disney, como “Pinóquio”,levado por minha madrinha Odete. Com ela também freqüentava as matinais de domingo, sempre às 9 horas, programa que não se prendia ao gosto de criança. Foi nessa faixa horário e tempo que vi “Belinda”, aquele melodrama que deu a Jane Wyman um Oscar, e o “Hamlet” de Laurence Olivier. Mais adiante no tempo, com colegas de colégio ou só, vi coisas que marcaram minha memória como “Uma Sombra que Passa”, “Neste Mundo e no Outro”, “Adversidade”, “Recordações” e as chanchadas da Atlântida. Foi derivando desse ritmo que a curiosidade me levou, a saber, do que os críticos gostam e aprender que cinema é arte e está intimamente ligado a outras artes. Dessa fase vi “O Boulevard do Crime” e o resto da trilogia shakespeareana de Lord Olivier.
E chegou o tempo de namoro, o “Semeador de Felicidades” tão brega quanto o meu olhar para trás a procura da amada que lá estava com o pai em um hiato de colégio interno. Com ela estreei cinema a dois com “Sinfonia Carioca” e já deixei de pagar ingresso feito jornalista especializado em comentar filmes.
Hoje vejo a casa sobrevivente graças ao poder público,. Fiz a minha parte para que a socidade clamasse pela vida do cinema mais velho do país. A minha meta,agora, é que esya sociedade vigie a esperança do centenário. Se minhas forças me levarem até lá estarei muito feliz. O Olympia é a gruta dos espectros românticos e a testemunha muda de fases históricas da cidade. É como o Teatro da Paz, o Museu Goeldi, o Bosque Rodrigues Alves, o destino de tantos em tanto tempo de busca cultural.
Saúdo este meu mestre com muito carinho.
Escrito por Pedro Veriano às 15h50
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