O Fim dos Tempos

 

 

 

                        Uma vez apareceu em Belém um cara que dizia ser “o rei do mundo”. Lembro de que ele se re-coroou na Praça da República. E não demorou um outro dizia que o mesmo mundo ia se acabar. Nem pedia licença ao rei. No cinema, muitos filmes já profetizaram a coisa. Em “O Fim do Mundo”(When Worlds Collide), o fim era radical, com o planeta virando cinzas quando trombado por uma estrela(!). O comum, no entanto, foi o fim da humanidade  - ou de espécies de vida. Cito “Os Últimos 5”,”ON Diabo a Carne e o Mundo”, “A Ùltima Esperança da Terra”, “Eu Sou a Lenda” e até “O Planeta dos Macacos”. Agora com “O Fim dos Tempos”(The Happening), as pessoas passam a se matar sem mais nem menos. Seria uma toxina abrigada nos vegetais que o vento levaria para as narinas ou poros de todos os gêneros. Não se diz que animais irracionais também se matavam. Seria interessante ver uma tourada em que o toureiro e o touro se matassem ambos usando chifres. Mas a idéia de M. Night Shyamalan (um dos diretores mais conhecidos do público) é só mostrar o efeito e não a causa de um tropismo pela morte. A troco de quê ? Não interessa, Em “Uma Sombra que Passa”(Death Takes a Holiday) a Morte, corporificada, refelete ao ver pessoas fumando em recinto fechado: “-Como gostam de mim”. Não sei se Shyamalan viu este filme, mas o seu é um atestado de amor pela morte (como disse Mario Faustino: “não morri de mala sorte, morri de amor pela morte”). Gostar dele ou não é gostar de enigmas e de sentir medo. Sem dizer a que veio e para onde vai, o enredo não deixa de fascinar.Pena que a linguagem de cinema seja pobre. De minha parte eu preferia uma linguagem trabalhada, clássica, como a do filme que eu citei. Afinal, a morte não é moderninha: atúa desde que surgiu a vida.