Wall-E
O mundo vira um lixeiro e robôs são guinados a fazer serviço de garis. Eles lembram os escravos hebreus no Egito, construindo pirâmides de lata amassada.Mas começam a pifar. Se salva um, afinal o solitário habitante da Terra, exceto se considerarmos uma barata, o Wall-E da animação da PIXAR, um milagre técnico que contrasta com o focalizado: uma estação orbital onde a espécie humana fica morando até que o planeta volte a ser habitável.
O filme (Wall-E) me emocionou. Quando tocam “La Vie em Rose”numa faxina é o efeito do “Danúbio Azul” na viagem à lua de “2001”. Por sinal que o filme de Kubrick é citado com um acorde do “Assim Falou Zarathrusta”.
Wall-E faz parelha com Eve, uma sonda que os humanos obesos por fazerem o nada enviam para saber se a velha casa está OK. Romance de lataria sem frescura. Há uma cena em que o robô enferrujado e a colega zero km se tocam. As máquinas também amam. HAL, o vilão de “2001” não ensaiava uma coisa dessas. Mas “Wall-E” tem humor, tem poesia, tem técnica, tem inventividade.
Vai estar na minha lista de melhor do ano.
Escrito por Pedro Veriano às 16h19
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