Hancock

SUPER-HERÓI PAU D’AGUA

 

 

            A formula de humanizar o super-herói passa por uma mudança radical em seu comportamento. Seria um super-homem alcoólatra, preguiçoso, mal vestido,  avesso ao banho e de guerra com o barbeador. Seria Will Smith depois de dormir no metrô em “À Procura da Felicidade”. E deve ser esta a ordem da produção para o diretor Peter Berg, ator de “Colateral” e “Leões e Cordeiros”, escritor e produtor de séries de TV, diretor de alguns episódios dessas séries, e agora diretor muito solicitado pela industria.

A ordem deu em “Hancock”(2008), uma comédia “blockbuster” que funciona quase até ao meio, capengando quando o roteiro envereda por um triangulo amoroso e explica mal a origem do (super)herói.

            Como filme de ação moderno não falta serviço para o ator mais querido da nova Hollywood: o computador.  A maioria das seqüências exigiu fundo verde ou azul para a inserção de imagens digitais.Os carros voam, as pessoas voam, as ruas se abrem, tudo que Superman costuma fazer, John Hancock faz. Só que para ele salvar uma pessoa de um atropelamento é preciso destruir uma frota de veículos, deixar automóvel dependurado em mastro de bandeira e simplesmente quebrar um trem.

            Quando Hancok acha uma igual (e a moda é botar seres invulneráveis brigando com semelhantes) o melodrama pede passagem. Quem é super é a mulher do sujeito boa praça que se torna amigo e protetor dele.Cornea-lo, no caso, é o cumulo do cinismo.Mas logo se sabe de uma espécie de moldagem no sistema elétrico: os pólos iguais se repelem. Mary (Charlize Theron) é, arrisco dizer, positiva. Hancock também. E ele só vai saber disso depois de flertar com ela e saber de sua história desastrada.

            O melo, no caso, é pé na bola. Graças a Smith o filme consegue ser divertido. Dá para boas gargalhadas até quer se adestre o mocinho ao politicamente correto. E super-homem negro ainda não pegou na terra de Obama. Fica até mesmo uma critica: ele, superblackman só dá mancadas, até que um branco mortal lhe ensine que a lei não isenta quem pode voar por conta própria.

            O sucesso comercial indica uma seqüência. Até porque, nos créditos finais, está uma piada. Não se pode chamar Hancock de idiota. Ele queima os fusíveis. Eu jamais o chamaria disso. Mas os roteiristas bem que podiam ser mais idiotas para serem mais engraçados. (Pedro Veriano)