Cinema de Bairro- o S. João
O leitor Paulo Soares pergunta por um cinema de bairro de Belém que se chamou S. João e mais tarde Cine Art. Não tenho fotos da casa, mas cheguei a visitá-la nas duas fases: quando era “S. João” e pertencia ao grupo Severiano Ribeiro (herdado em 1946 da Cinematográfica Paraense Ltda do banqueiro Adalberto Marques, por sua vez comprador da firma Teixeira & Martins) e quando se transformou em filial da Art Filmes, uma distribuidora & exibidora carioca, pertencente ao grupo Sorrentino (o primeiro dono era um conde italiano) e lançadora de filmes europeus depois da 2ª.Guerra Mundial.
O S. João era muito popular e fechava o roteiro dos filmes que estreavam no Olímpia, passando na ordem pelo Iracema (depois Nazaré 2), Popular (na av. Magalhãe Barata), Guarani (na Cidade Velha), Poeira (depois Nazaré 1), e Íris (no Reduto).
A Art pensou que a praça de Belém era interessante e passou a exibir seus filmes e alugar cópias em 16mm. O que andou por lá foram as produções pretensiosas do cinema italiano, como “Carrossel Napolitano”, francês, como “Se Versalhes Falasse”, e alemão como “Noites na Hungria” e “A Voz do Silêncio”.
Não durou muito o “sonho” da Art. Mesmo com filmes de Hollywood da Allied Artists, firma que não distribuía diretamente as suas produções (“Amor na Tarde” de Billy Wilder seria sucesso no Olímpia mas no Art durou apenas uma semana em cartaz).
Hoje o espaço é um depósito. (Pedro Veriano)
Escrito por Pedro Veriano às 14h38
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Um Passeio na Lua
Não é filme da série (“Road to”) interpretada por Bob Hope, Bing Crosby e Dorothy Lamour, Felizmente. É um documentário muito interessante produzido por Ron Howard sobre o Projeto Apollo da NASA, apresentando depoimentos de astronautas que foram ao satélite natural da Terra quando eram jovens de 38 anos e hoje exercitam a memória com 78.
Para quem não sabe: Aldrim deu a primeira mijada interplanetária. O tripulante da Apollo 11 conta que ao descer da escada para o solo lunar não suportou e encheu o saco plástico colocado dentro da roupa espacial. “- Não agüentei”, diz ele. E quem agüentaria com tamanha emoção?
Um colega médico esbanja ceticismo ao crer no tablóide que “revelou” a filmagem do acontecimento de julho de 1969 no deserto do Arizona. Os velhinhos de hoje soltam o verbo: “-Seria muito fácil se fosse assim”. E atentam para o fato de terem sido sete expedições, o que vale dizer uma mentira repetida por sete vezes (não vale fazer piada que é conta de mentiroso).
Ouvi e vi pela TV a chegada de Armstrong e colegas no “altar dos namorados” (na época surgiu a marcha de carnaval que dizia: “Todos eles, estão errados, a lua é dos namorados”). Foi uma torcida fantástica para que tudo desse certo. E olha que a gente não morria de amores por norte-americanos. Ali eram os terráqueos tomando posse do que é seu por direito astronômico. E a ciência fazendo gol de placa.
No filme algumas falas são ligadas a preceitos religiosos, mas uma delas é interessante nesse aspecto: “- Nós sentimos a grandiosidade mística das religiões que criamos”. E explica: “não há solidão maior do que saber que se está na vastidão de um mundo tendo por companhia só com uma pessoa”. Não se trata de uma ilha, que caberia Robinson Crusoe, mas a consciência da vastidão planetária e a pequenez do homem, embora no momento venha a provar que ele é suficientemente grande para sair do casulo.
O filme é histórico. As falas talvez sejam as últimas, em público, dessa gente que entrou de cabeça na “guerra fria” e aqueceu a idéia de que a humanidade pode sair de seu berço (ou, quem sabe, voltar ao Éden na concepção de que viemos do espaço).
“Sombras da Lua”(In the Shadow of the Moon/EUA,2007) é dirigido por David Sington e conta com a participação, entre outros, de Buzz Aldrin, Neil Armnstrong, Alan Bean,Eugene Cernan, Michael Collins, Charles Drake e Jim Lovell.
Foi exibido no canal de TV por assinatura Cinemax Plus E.
Não chegou aos cinemas brasileiros e por enquanto nem ao DVD.(Pedro Veriano)
Escrito por Pedro Veriano às 14h59
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