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Blog do Veriano
 


Cinemas que morrem

Cinema de rua morreu. O exibidor alega os motivos: praticidade, segurança, custo operacional menos aflitivo, capacidade para mais de uma sala (os chamados multiplexes).

            O novo funeral em Belém é do trio da rua S. Pedro: Cinemas 1, 2 e 3. O primeiro e o segundo foram inaugurados no dia 29 de junho de 1978. O último em agosto de 1987. Eu estive presente na geração e no parto. Antes, dirigia um cine-clube e tinha Alexandrino Moreira como referência. Era não só o mecenas, mas o apaixonado pela arte cinematográfica, o bastante para empregar dinheiro de seu bolso na construção de cinemas.

            Em principio seria uma sala. Depois, seguindo conselho de um distribuidor de filmes radicado em S. Paulo, o projeto abriu espaço para mais uma. O terreno já era de Alexandrino, na então desprezada S. Pedro, rua de terra batida, cheia de buracos que formavam “piscinas” em época de chuva.

            A idéia era tão utópica que a firma criada para construir os cinemas ganhou o nome de Cinema de Arte do Pará Ltda. E eu programei as salas por 1 ano, fazendo até mesmo os anúncios para jornal. Quase as matava com a minha rigidez em passar só clássicos da chamada Sétima Arte.

            Felizmente saí em tempo. Veio o meu compadre Hailton Magalhães, que era funcionário da empresa Severiano Ribeiro. A Columbia Pictures passou a ser a base dos lançamentos. O aspecto comercial ganhou tempo e espaço. E muitos sucessos aconteceram, até quando a concorrência passou a racionar os filmes e todos os motivos que maculam uma cidade grande, como a insegurança, foram chegando.

            Alexandrino jogou a toalha em 2006. Mas a Moviecom pediu para arrendar as salas e as manteve até 21 de agosto de 2008.

            Hoje tudo é história. Mais títulos para o “já teve” de uma Belém que se recicla, que certamente não é mais a mesma de quem, como eu, passou dos 70.

            Mas a vida continua. A própria firma Moviecom abriu 5 cinemas na mesma rua, no shopping Iguatemi-Belém. Outro shopping a chegar deve ter mais 7 salas. Cinema persiste. Como dizia Lavoisier, “nada se perdem tudo se transforma”. O que se perde, e isto não foi deduzido pelo pai da química, é o amor por um feito. E é uma coisa tão subjetiva que nem a História grava. (Pedro Veriano).



Escrito por Pedro Veriano às 11h22
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O Escafandro e a Borboleta

 

 

 

            Jean Michel Basquat comparava a sua situação depois de um derrame como um escafandrista dentro d’água. Procede a idéia de prisão: restou-lhe apenas o movimento de uma pálpebra. Uma borboleta seria quem o ajudasse a se comunicar com o mundo.Pode ser a sua esposa, de quem estava se separando, como pode ser a sua fonoaudióloga, que lhe ensina a usar cada mexer de pálpebra como uma letra do alfabeto. Dessa forma Basquat consegue até escrever um livro, “O Escafandro e a Bprboleta”(L’Escaphandre et le Papillon) afinal o titulo de um filme..

            O fato é real. O filme, dirigido por Julian Schnabel, tempera o drama com requisitos capazes de atender ao público de cinema. Mas no começo faz-se apenas “câmera olho”, ou seja, se vê o que Basquat vê. É incômodo tantos minutos, num cinema, olhando imagens distorcidas ou deslocadas. E o ângulo visual é restrito. É preciso abandonar o doente e passar a visão para quem atende ao doente. Isso e as lembranças, que furam o bloqueio orgânico e levam o paralítico, ex-redator da revista “Elle”, para cenários que lhe fizeram feliz.

            Há momentos marcantes. Um deles é num domingo, quando Basquat se refere à solidão que fica no hospital e a gente o vê numa cadeira de roda em um salão imenso. A tomada evidencia bem a pequenez do homem diante do espaço que ele não pode desfrutar. O drama é de uma solidão imensa deixada pela imobilidade física. E é pontuado pela canção “La Mer” que traduz melhor a metáfora da situação do personagem (o homem imóvel no fundo do mar).

            Desníveis rítmicos podem ser considerados naturais. A hesitação de usar a primeira pessoa é compreendida na necessidade de narrar em imagens, embora não se despreze a “voz do pensamento” do literal paciente.

            Um bom filme que entre nós inaugurou um programa dedicado ao que se chama de “filme de arte”. (Pedro Veriano)



Escrito por Pedro Veriano às 11h07
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