Nevoeiro Apocaliptico

 

 

 

 

            Cercados por uma névoa inexplicada, pessoas de índoles diversas escondem-se em um supermercado até que o tempo melhore. Um  pai com o filho de 9 anos chorando a falta da mãe usa a pose de líder. Ele percebe que o gerador da loja está com defeito, que ao chegar a noite o pânico se instalará de forma incontrolável. Para piorar a situação, uma religiosa fanática prega que aquilo é o fim do mundo, que o nevoeiro é um sinal divino, que resta as pessoas entregarem sem resistência as suas almas ao Criador.

            A prédica da beata gera uma confraria que aumenta na medida em que as tentativas de deixar o mercado se tornam infrutíferas (quem tenta morre) e o tempo de espera passa de 24 horas.

            “O Nevoeiro”(The Mist) saiu da cabeça de Stephen King. No cinema foi dirigido por Frank Darabont, especializado em filmar King desde algum tempo (“A Espera de um Milagre”, é o melhor exemplo). Podia ser um simples “thriller” onde a tônica é o medo crescente que se apodera das pessoas confinadas por uma causa que não explicam. Mas há outras leituras, como a fácil proliferação de idéias em um microcosmo de limites frágeis, a influência malsã de preceitos religiosos traduzidos ao pé da letra, a “anatomia” e “fisiologia” do próprio medo, e a ciência trabalhada em clima experimental sem pesar efeitos colaterais danosos. Isto e mais o militarismo, a pugna pela criação de novas armas como defesa e ataque.

O filme fica na metade do caminho dessas vertentes curiosas. Mas não deixa de incitá-las, e com isso prender o espectador por duas horas e cinco minutos. É um dos mais instigantes King já filmados, mesmo com alguns atores não conseguindo disfarçar os seus limites.(Pedro Veriano)