Mamma Mia
Nos anos 50 e 60 a cidade tinha um programa de cinema: os musicais da Metro. Quem reclamava eram os poucos críticos que existiam. A classe mais favorecida esnobava, pois freqüentava, nas férias, os cinemas do sul que exibiam essas coisas para casas cheias. Dizia-se mesmo quem o Rio era uma cidade com 3 metros: O Passeio, o Copacabana e o Tijuca. Neste caso, S. Paulo estava por baixo: só tinha um. Metro eram os cinemas da firma Metro Goldwyn Mayer. O leão milionário que por aqui desafiou exibidores exigindo percentual sobre a renda com garantia mínima no tempo em que a praça, considerada pequena, era suprida por aluguel fixo da “produção” (um catálogo anual).
“Mamma Mia” lembra esse período. Só que é muito mais pobre, muito mais anárquico, muito mais “Fama”, “Hair” e outros nascidos na fase de contestação, no planeta hippy.
O filme é agradável agora por ser “diferente”. Como a trama é boba, os atores parecem brincar o tempo todo, a música do ABBA é pura nostalgia, a coisa ganha a cara de um sorvete da Santa Marta ou de outra sorveteria de ontem.
Meryl Streep canta. Já cantou antes ma aqui mostra que pode filmar a vida de Jeanette MacDonald. Mas Pierce Brosnan, o ex-James Bond, é que espanta soltando a voz. Pensei até que era dublagem.
Enfim, o filme tem de tudo: até um donjuan negro e um gay. E para ser mais moderninho, a noiva da história transfere o véu para a mãe e sai com o noivo mundo afora, A instituição matrimonial é a lenda que embala o conto de fadas grego. Muita gente aplaude.(Pedro Veriano)
Escrito por Pedro Veriano às 16h19
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