PROLOGOS E EPILOGOS
Alguns filmes (poucos, é certo) exibiram nas salas grandes prólogos e epílogos interessantes que os datavam ou estimulavam as suas leituras. Lembro de dois: “Brinquedo Proibido”(Jeux Interdits/1952) de René Clément, e “O Sinal da Cruz”(The Sign of the Cross/1933) de Cecil B, De Millle. No primeiro via-se o pequeno Michel (George Poulouly) lendo um álbum ao lado de Colette (Brigitte Fossey). Ele tem 11 anos, ela 7. Estão bem vestidos, denotando uma classe social abastada. A história contada é a do filme que se passa a ver. No fim, quando Colette chama em lágrimas pela mãe (que sabia morta) na estação de trem, há um corte brusco e se vê a menina fechando o álbum de forma abrupta. “-Para. Não quero mais ouvir isso”, diz ela. O companheirinho faz de conta que lê mais um trecho abrindo parcialmente o álbum. Ele diz: “-... e ela encontrou a sua família e todos foram felizes para sempre”. Houve quem criticasse na época (1953/54) o apêndice consentido por Clément como um adendo de fantasia sobre uma tragédia. Mas a verdade é que as seqüências procediam como um contraste. E conscientizam os mais jovens dos horrores de um a guerra que passara relativamente a pouco tempo. Na versão em DVD foi retirado tanto o prólogo como o epílogo. Ficaram as imagens “secas” de um drama tocante. No “O Sinal da Cruz”, em versão editada para uma reprise nos anos 40/50, havia uma seqüência inicial em que um bombardeio americano sobrevoava Roma e alguém da tripulação falava da Cidade Eterna, imune às destruições que ocorreram ao longo da História em muitas outras. Em respeito a isso, os militares ianques não lançam suas bombas sobre monumentos como o Coliseu. Em DVD, agora, o filme saiu sem esta introdução. Talvez só fosse mesmo necessária em tempo de guerra. Mas colocava muito bem o filme no tempo, a importância do império romano no mundo antigo. Penso que os editores de discos digitais deviam copiar na integra os filmes objetivados. Pode ser que essa “integra” tenha sido episódica, que as cópias disponíveis estejam isentas de cenas editadas depois das primeiras exibições - ou do que o cineasta responsável quis que se apresentasse. Mas a memória do espectador gravou aqueles momentos. O meu caso: senti falta do que vi quando adolescente. (Pedro Veriano)
Escrito por Pedro Veriano às 11h21
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