Feliz Natal
Catherine Deneuve descobre que está com leucemia. Mas o seu físico não é de doente. Apesar dos 65 anos e muitos quilos a bela da tarde prossegue bela do dia numa festa natalina em que o marido, sabiamente se qualificando de “sapo velho”(Jean Paul Russilon), consegue reunir a prole, desmanchando laços de inimizade que uns nutrem por outros. É clima de Natal, mas se a família enfeita uma arvore e arma um presépio o cisma da doença e de velhas rusgas está no ar. Pairando sobre tudo isso está o espírito do filho que morreu aos 6 anos antes dos irmãos ganharem autonomia e sair de casa. “Um Conto de Natal”(Um Conte de Noel) é um motivo para o cineasta Arnaud Desplechin retomar as personagens de seu “Reis e Rainhas” de grata lembrança. Aqui ele torna a tipos sofridos, a situações limites, e também aborda a doença, tocando na expectativa que anuncia a morte. O filme peca por ser muito longo. E sem necessidade. Há muito papo furado há muita filigrana que podia ser amparada para o bem de todos (tipos e produção). De qualquer forma é um enfoque curioso sobre a família. Bem melhor do que Sam Mendes fez em “Foi Quase um Sonho”. Quem perdeu no Libero Luxardo, interrompido por uma semana graças a um ar condicionado que não se condiciona, ou melhor, se condiciona na má conservação do prédio(Centur) de um modo geral (fiquei aterrorizado com o que na secção de microfilmes da Biblioteca Arthur Viana), que espere o DVD. Não deve demorar. (Pedro Veriano)
Escrito por Pedro Veriano às 15h48
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