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Blog do Veriano
 


A Bela e a Fera

Jean Cocteau(1889-1963) achava-se feio. E era, embora perdesse para Augustin Lara,o compositor mexicano que apesar disso foi marido de Maria Felix, a bela que lhe inspirou o bolero “Maria Bonita”.Mas Cocteau era polivalente. Fez pintura, teatro, música, coreografia, literatura e cinema. Sua contribuição para o cinema não se resumiu à direção de filmes. Fez roteiros originais e derivados de suas peças. Mas foi um dos pioneiros do surrealismo na cinematografia (“Sangue de um Poeta”/1930) e atraiu o grande público com a sua versão e “A Bela e a Fera”(La Belle et la Bête) o conto de Jeanne Marie Leprince de Beaumont.

            Em “A Bela e a Fera”(1846) e “Orfeu”(Orphée,1949) Cocteau deu vazão ao seu complexo de “fera”. No primeiro exemplo ele tratava de tal forma o monstro que abriga a linda donzela à guisa de um favor prestado ao pai dela, que a platéia não achava graça quando surgia o príncipe encantado com a cara de Jean Marais. Por sinal que Marais era o amor de Cocteau. Está implícita a comunhão de corpos no encanto da história de fadas. Mas em “Orfeu” o poeta-cineasta foi mais claro: não era só o mito do também poeta que vai buscar a esposa no terreno da morte com a condição de não vê-la. É a idéia, que não está na mitologia: a morte surgir do espelho. Dizia Cocteau que é no espelho que a pessoa se vê envelhecendo, ou seja, a caminho da morte. Mas também é no espelho que se vislumbra um rosto muito, pouco ou nada bonito. Marais, de novo, entrava no espelho como uma nova Alice e por um “décor” fantasmagórico acabava no tribunal que iría julgar o seu apelo, ou seja, a volta de sua amada  Eurídice.

            Amanhã é dia de rever “A Bela e Fera”. Impossível esquecer Marais maquilado de forma extraordinária por Hagop Arakelian, chorando quando La Belle passa o tempo que lhe foi dado pela Fera para visitar os pais. O monstro diz, moribundo: “-Pobre de nós, as feras, que na busca do amor acabamos por ficar na lama e morrer”. Cocteau estaria deprimido nesse tempo. A sua poesia evocou a maldade dos que abominam a feiúra e, pior do que isso, a desprezam.

            Mas o filme também é primoroso na forma. A fotografia de Henri Alekan, a cenografia de Chistian Bérard e a música de George Auric compõem um poema em imagem e som. Curioso é que apesar desses elementos poéticos, a direção coube muito mais a René Clément (de “Brinquedo Proibido”). Explica-se: Cocteau não era versado em linguagem cinematográfica. No seu currículo tinha, apenas, o surrealista “Le Sang d”Un Poete”, onde era fácil trabalhar pois a continuidade se fazia no bojo da criação, à maneira de Orfeu definindo-se:“-Poeta é um homem que escreve sem ser escritor” (jogando para o cinema: o homem que filma sem ser cineasta).

            Eu vi “La Belle et la Bête” em 1949 no finado cinema Independência. Na época era raro um filme francês na programação edificada por Hollywood. Saí impressionado e querendo conhecer mais e mais sobre Cocteau. Penso que hoje o filme possui o mesmo fascínio. Aproveitem na reprise da Sessão Cult e no DVD que se poide achar las locadoras..

 

 

 



Escrito por Pedro Veriano às 15h36
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Desonra

 

 

 

 

           

            O Japão esteve entre os paises que foram brigar no Iraque a pedido de George W, Bush. A meta era derrubar o ditador Saddam Hussein, não porque ele tenha sido pintado de diabo pelos meninos do desenho animado “South Park” mas pelo boato dele guardar, sei lá aonde, “armas de destruição em massa”. Um adendo: antes do inicio da guerra, uma comissão da ONU esteve em Bagdá vasculhando o possível arsenal de Hussein e não achou as tais armas. Quem sabe confundiu “destruição em massa” com “destruição de massa”, coisa que diz respeito às panificadoras.

            Boa parte do mundo foi contra essa invasão na terra alheia. Em alguns paises os voluntários para a chamada Força de Coalizão, foram recebidos de volta com impropérios. O filme “Desonra” (Bushibg/2005) de Masahiro Kohayashi, mostra isso através de uma jovem chamada Yuko (Fusaki Urabe). Ela chegou a ser refém dos iraquianos. Mas voltou ilesa à sua terra natal. Os ferimentos seriam morais e a seguir como telefonemas, e-mails, mau tratamento em restaurante, rompimento de namoro, e  agressões a familiares, com o pai sendo forçado a pedir demissão em uma firma onde trabalhava por mais de 30 anos (parece que por lá não existe direito adquirido).

            Yuko pensa em voltar para onde veio. Melhor ser refém de estrangeiros do que estrangeira em sua terra. E o velho pai deixa a imagem, ao ser focalizado num grande plano, em uma estrada vazia, de quem está a ponto de se matar. No caso não há sinal de haraquiri: há mortes bem ocidentais, uma vergonha que abrange o aspecto cultural encapando o desespero.

           

 

 

IMAGENS

 

            O filme de Masahiro Kobayashi (não confundir com Masaki Kobayashi o diretor do longo e marcante “Guerra e Humanidade”) tende ao docudrama até por se basear em fatos reais. O diretor de 55 anos, com 11 filmes no currículo (além de mais alguns como roteirista), não se deixa levar pela introspecção na análise dos tipos. O que se vê é a rotina de um bairro modesto, o que fazem as personagens, o que se ouve, se atura, se repele.

            O mais emocionante é um plano médio pegando o velho funcionário e o seu chefe imediato, o primeiro ouvindo a conversa de que “é preciso demitir pelo bem da firma” e o segundo chegando a se ajoelhar, pedindo ao patrão que não faça isso, que o deixe no emprego.

            A humilhação é a parte mais dramática da história. Mais do que a cena em que a jovem, pivô do problema, ouve os motivos do namorado que lhe deixa. A frieza desse diálogo e a postura dos dois que falam, ambos de pé, um em cada canto do quadro, revela que a moça já está “vacinada” de reações negativas à sua postura numa guerra que agora todo mundo condena.

            O filme prende-se a fatos acontecidos e diz que não pode haver herói que não seja vestido de loas pela maioria da população. Quem quiser ganhar ponto em campanhas estrangeiras que se prepare para mudar o verbo: não é ganhar, é perder.

            Bom cinema de linguagem direta, preferindo sempre a exposição dos fatos a se adentrar na exploração da psicologia das personagens, deixando com o público a real dimensão do que se passa no intimo da ex-voluntária de guerra e dos reflexos em seus entes queridos.



Escrito por Pedro Veriano às 15h33
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Narciso Brasileiro

 

 

            A mitologia grega diz que Narciso, o belo, não conseguiria corresponder ao amor de Eco, amaldiçoada por Hera a ponto de apenas repetir o que lhe dissessem. Acabou apaixonando-se pela sua própria imagem refletida nas águas calmas de um rio.

            Não sei se Cláudio Torres, o cineasta filho de Fernando Torres e Fernanda Montenegro, irmão de Fernanda Torres e cunhado de Adrucha Waddington, (vale dizer uma família de cineastas) pensou nisso ao escrever o roteiro de seu segundo filme de longa-metragem, ”A Mulher Invisível”, ora em cartaz nacional. O certo é que o personagem Pedro (Selton Mello), abandonado pela esposa Marina (Maria Luisa Mendonça), cai de amores por Amanda (Luana Piovani), linda mulher que bate à sua porta pedindo-lhe um pouco de açúcar. Seria uma forma de esquecer o mau relacionamento com Marina, mas o problema é que Amanda não existe, ninguém vê. É o “alter ego” de Pedro, ou melhor, Pedro é um novo Narciso, apaixonado por si mesmo.

            A idéia é boa. E o gancho para a comédia cai bem em momentos quando o herói surge em restaurante, ou em fila de cinema, de mãos dadas ou abraçado com a garota que só ele enxerga. Para os outros é uma vitima de romance contrariado a ponto de enlouquecer. Isto, pelo menos, é o que pensa o seu colega de trabalho Carlos (Vladimir Brichta). E é o que deixa pena na vizinha Vitória (Maria Manoela) uma viúva recente que se apaixona pelo “doidinho”.

            A base da história é fazer com que a pessoa que de fato ama o sofrido Pedro substitua a imagem da “mulher invisível”,ou seja, dissipe a síndrome narcisista do jovem funcionário da prefeitura (do Rio) encarregado da vigilância do trafego(o contraponto para a crise do moço, jogando-se planos de engarrafamentos como causa de um estresse agravante do caso de isolamento afetivo).

            Há bons momentos como realização cinematográfica, mas a sensação que fica no espectador é de uma anedota esticada, podendo ser mais proveitosa com menos tempo de ação.

            Também o roteiro se rende ao caricato para forçar o riso e com isso ganhar ponto nas bilheterias. A questão de Narciso fica enterrada no alicerce da trama. E é uma pena. A idéia podia render um belo filme.

Mais substancioso (e como!) é “Desonra”(Bashing/Japão,2005), filme do japonês de Masahiro Kobayashi  Aqui, uma refém japonesa no Iraque consegue voltar à sua terra natal mas é repudiada pelos conterrâneos porque se alinhou como voluntária na Força de Coalizão enviada logo que os EUA declararam guerra a Saddam Hussein. Ela perde o namorado, recebe telefonema e e-mails violentos e por sua causa o pai, antigo funcionário de uma firma, é obrigado a pedir demissão. Pressionada por tanta animosidade a moça acaba pensando em voltar ao Iraque, ou reassumir a idéia que teve antes, deixando de vez a sua gente.

A história é real, a narrativa segue uma linha de docudrama (documentário dramático), nada é dispersivo nos pouco mais de 80 minutos de projeção e os atores são excelentes. O que não se quis foi reforçar a gênese do drama, ou seja, contar como se deu o engajamento da jovem numa guerra abominada por tantos, nem o motivo da ojeriza dos japoneses pela campanha bélica no Oriente Médio (pode-se adivinhar isso até porque não é um sentimento exclusivo do Japão: muitas nações condenaram a luta “profilática” do governo Bush, alicerçada na idéia de que haviam “armas de destruição em massa” próximas de Bagdá sem nunca se provar que isso existiu). O que Kobayashi quis mostrar (e mostrou) foi uma situação. E o fez de modo contundente. Não há quem não sinta pena de filha e pai marginalizados em seu mundo. Afinal, um bom filme. 



Escrito por Pedro Veriano às 09h26
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