Propondo Divertir
Há pouca diferença entre a postura de Meryl Streep em “O Diabo Veste Prada” de Sandra Bullock em “A Proposta”. Ambos os tipos revelam um excesso de auto -estima, uma disposição de pisar nos outros para manter um “status”. São megeras indomadas. Bullock, que assina a produção executiva de “A Proposta”(The Proposal), é uma canadense que subiu para ser e gerente de uma editora bem sucedida, subitamente ameaçada de expulsão dos país (EUA) por não ter visto de permanência, ou o muito conhecido “green-card”(há um filme com o nome desse cartão, e Gerard Depardieu é a estrela). Como recurso para não deixar o reino que moldou, a executiva segura o subalterno imediato, um secretário que ambiciona ser escritor e vê no emprego a chance de lançar um primeiro livro. O rapaz é “nomeado” noivo da sua superiora defronte de uma comissão do Departamento de Imigração. Nem adiante cantar de galo nessa hora. Ruim com ela de esposa pior sem ela fora do emprego. A segunda parte da comédia é a visita que o mocinho faz à casa paterna onde a avó comemora seu 90° aniversário, Nessa altura a despótica chefa descobre que o seu secretário é rico, que a família dele é dona de quase todo o comércio de uma pequena cidade do Alaska, que esta goza de união e bom humor. É muito difícil não adivinhar como o filme termina. Mas é a tal coisa: enquanto não se chega ao óbvio se divirta com a paisagem do caminho. E algumas situações fazem rir até por lembrar a velha screwball, quando Cary Grant baixava a porrada na cara de Katherine Hepburn ou Jimmy Stewart botava rabo na saia de Jean Arthur. O cinema americano antigo era ótimo e o novo se recicla quando o invoca. “A Proposta” diverte porque é um cristalino “déja vu” e os intérpretes conseguem ser simpáticos. Querer mais é pedir o impossível para a lâmpada de Aladim, (Pedro Veriano)
Escrito por Pedro Veriano às 14h09
[]
[envie esta mensagem]

|