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Blog do Veriano
 


No Mundo da Lua

 

 

 

 

            Gostar de cinema é uma forma de se ingressar no mundo da lua. Mais do que a literatura, desde que se considere o ritual da sala escura e a tela iluminada, o cinema faz a vez de uma janela para a fantasia que cada um de nós guarda nos hemisférios cerebrais. Mas o caso, agora, não é o mundo da lua de onde se derivou o termo lunático. É o velho satélite natural da Terra, o disco branco dos namorados, o despertador de tantas lendas, o atiçador das marés e uma espécie de sala de espera das viagens espaciais.

            Se o homem botou os pés na lua em 1969, o cinema fez a viagem em 1902. George Meliés foi o cineasta gaiato que atirou uma bala de canhão na “cara de lua” e botou seus astronautas à vontade, sem dar bola para o aspecto físico de uma viagem desse tipo, fugindo de monstrinhos que pareciam ter fugido de um teatro de marionetes e selenitas divididas entre deusas de cromos e fantasmagorias de assustar bebê chorão.

            Vendo um francês na lua os alemães pré-nazistas mandaram o seu através de Fritz Lang(“A Mulher na Lua”).E os soviéticos exageraram:foram à Marte (“Aelita”). Nada a sério, ou pretensamente a sério, até que George Pal deixasse os seus bonecos (puppetoons) e ingressassem na ficção-cientifica com “Destino à Lua”(Destination Moon/1949) dirigido por Irving Pichel. Ali introduzia o jato que era esquecido de William Cameron Menzies & H. G. Wells no “Daqui a Cem Anos”(Things to Come) onde um foguete interplanetário só aconteceria em 2036 (antes os aviões tinham até tombadilho como os transatlânticos e eram movidos a pistão). Só não pensava nos estágios propulsores. Um arremedo de V-2, a bomba de Von Braun, ia direto da Terra à Lua e deixava por lá, devido a excesso de peso e falta de combustível, um tripulante (creio que o comediante Dick Wesson).

            As mais importantes viagens à lua através do cinema foram, além  do filme de Pal & Pichel, “Da Terra à Lua”(Rocketship XM/1950) de Kurt Neumann, onde a nave destinada ao satélite migrava para Marte sem mais delongas; “Os Primeiros Homens na Lua” (First Men on the Moon/1962) de Nathan Juran, apoiado no texto de Jules Verne; “No Assombroso Mundo da Lua” (Countdawn/1968) de Robert Altman;  “2001, Uma Odisséia no Espaço”(200l, a Space Odissey/1968) de Stanley Kubrick; “Apollo l3”(1995) de Ron Howard e “Cow Boys do Espaço”(Space Cowboys/2000) de Clint Eastwood.

            Posso ter esquecido alguma coisa, mas até dos sci-fi vira-latas eu gostava e ia ao cinema quando anunciados. Só não gostei do que fizeram com o melhor dos quadrinhos: o seriado“Brick Bradford”(1948) de Spencer Bennett e Thomas Carr, onde a imaginosa história da viagem à lua pela “Porta de Cristal” passou por um passeio indigno de Mèliés.

            Claro que já se filmou realmente na lua. Há quem ache que tudo foi feito em “sets”, mesmo as viagens pós Apollo 11. Não sou Tomé, sou Pedro. Só não creio que Armstrong tenha bolado aquela frase na hora de descer a escada. Ele já devia estar com o texto decorado. Se estava, mesmo experimentando o solo lunar o medo é que devia falar por ele. Melhor o que disse “Buzz” Aldrin, o companheiro de viagem: “-É um lugar muito feio” (ou “that’an ugly place”). Por sinal que há cenas de Armstrong e Aldrin juntos, andando no Mar da Tranqüilidade (lua) e não se diz quem filmou.

            Ah sim: eu fui ao Theatro de Paz ver a “pedra da lua” em exposição. Lembrei do romance de Otto Will Gail. Se aquilo era pedra de Utah, ou do Arizona, entrei bem. Quem dá em viver no mundo da lua...(Pedro Veriano).



Escrito por Pedro Veriano às 16h23
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Kinemandara

 

 

 

            Vicente Cecim voltou a filmar. Seus dvds “Fonte dos que Dormem” e “A Lua é o Sol” trazem peculiaridades não encontradas em nenhum exemplo de cinema. Não vejo nada semelhante nem mesmo nos clássicos surrealistas. Citando que são “Kinemandara”, ou seja, Cinema de Andara, a terra do intimo do autor, mais do que uma Shangri-ka ou Passárgada, ele tenta se expor da forma que lhe chegam as idéias. O máximo que se pode concluir de uma temática é a frase que pesca de Franz Kafka: “Por impaciência perdemos o paraíso”, e, a seguir, “por impaciência não voltamos ao paraíso”. Escrevendo as frases, “A Lua é o Sol” pontua com uma visão panorâmica da cidade atrás de grades. Em seguida, em stopmotion, pessoas andando para uma parada de ônibus em uma praça. Não se queira identificar coisa alguma, embora se possa. As “silhuetas na paisagem” evocam o que disse Joseph Losey. E os filmes divagam por imagens paradas que devem dizer a Cecim muito de sua sensibilidade exuberante.

            O cinema introspectivo é aquilo que Jean Cocteau falou: aquele em que a câmera faz a vez de uma caneta. Na época de Cocteau isso era um recurso poético. Hoje é real, com as minúsculas gravadoras digitais cumprindo roteiros imaginados diretamente para elas, sem passar pelo papel.

            Em “Fonte dos que Dormem” há longos travellings pela mata, tomados de um automóvel em movimento. É crepúsculo (ou aurora). O papel do sol pequeno (poente ou nascente) persegue o autor. A lua parece um sol ou ele a ela nas primeiras cenas de “A Lua é o Sol”. Até que a luz difusa ilumine toda a tela e nada mais deixe que se veja.

            Também há signos, como uma bola azul, correntes, gravuras que sugerem o paraíso perdido ou um inferno alcançado. Mas ninguém deva discernir o que há de material na obra de Cecim. Ele precisava do cinema para prosseguir a sua experiência literária. E adentra na poesia das imagens com intercessões de palavras. A força dessas palavras não precisa ser ilustrada sob ou sobre. Tudo é a casa do ego, ou a fonte do id, ou a alma de um poeta que tenta emergir do corpo. Se a gente se impacienta com o que vê, nada mais natural. Perdemos o paraíso e não temos força para voltar.A impaciência embota a percepção do outro e as pessoas, que não são iguais, não tentam se comunicar inteiramente. É assim que Cecim passa do romance ao filme/disco. Um criador que se completa.(Pedro Veriano);



Escrito por Pedro Veriano às 10h02
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