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Blog do Veriano
 


Antes de Parar De Vez

 

 

 

            Em 1986 o Cine Clube APCC estava cansado. O auditório do Curso de Odontologia da UFPA deixava a Praça Batista Campos. O projetor do Grêmio Português já não era mais o grande presente do ditador Oliveira Salazar aos patrícios de Belém. E o Cine Guajará da Base Naval mostrava-se distante com as crateras da estrada e as invasões do caminho. Além disso, já existiam os cinemas 1 e 2, frutos dessa experiência cineclubista. Emoldurando o quadro, inaugurava-se o Centur e com ele um “cinema de arte” apto a exibir filmes em 35mm e 16mm.

            Eu saí da Secretaria de Saúde, onde, na época dirigia um posto médico depois de 9 anos atendendo a “freguesia”do Presídio S. José, guinado à Secretaria de Cultura. O amigo Acyr Castro, de quem herdei minha primeira coluna de cinema em “A Província do Pará”, chamou-me para programar o cinema que estava sendo construído na prometida Fundação Cultural (que o governo Jader Barbalho chamaria de Fundação Tancredo Neves em homenagem ao presidente de vôo curto que marcou a redemocratização do país). A coisa demorou um pouco e quem acabou me nomeando para o cargo foi outro amigo, João de Jesus Paes Loureiro, secretário que substituiu o Acyr quando mudou o governo do Estado.

            O primeiro filme que exibi ali foi, por coincidência, um documentário sobre Tancredo(“Céu Aberto”). Depois tentei as distribuidoras. O aval era o cine-clube, que pagava fatura antes de chegar o documento. Mesmo assim, cedi espaço às embaixadas. Surgiram festivais russo, finlandês, tcheco, sei mais de onde.

            Era gratificante: pagava os filmes em borderô a 40 % da renda, o que permitia uma independência ao cinema.

            Mas a festa não demorou. Veio uma ordem para depositar a renda da bilheteria na instituição e se pagar faturas como despesas da casa. Isto queria dizer que um documento passaria por várias carteiras, vários carimbos, vários dias até ser quitado. E as distribuidoras não toleravam pagamento atrasado em mais de 15 dias.

            Minha luta era contentar essa mecânica da exibição. Ia conseguindo, até que outro secretário achou por bem dar mais espaço ás exibições teatrais. Programavam peças e shows sem me informarem. Chegavam filmes sem que se pudesse exibi-los. Reclamei. Não adiantou. Saí. E fiz bem pois já tinha tempo na Secretaria de Saúde para me aposentar.

            Depois de mim houve um hiato. E ressurgiu o cinema no Libero (afinal criado até no nome para ser cinema) com gente jovem como Mariano Klautau e Dedé Mesquita.

            O problema nesse tempo todo era projeçãom deficiente por conta dos péssimos projetores adquiridos na inauguração. E uma estrutura precária da sala, com uma tela pândega.

            Depois tudo se arrumou. Surgiu um projetor muito bom, comprou-se até um datashow para projeção de DVD com qualidade, e o cinema subiu orientado pelo José Augusto Pacheco.

            Hoje, para minha surpresa, uma parada circulatória. Fechou-se a casa para manutenção. Explica-se: desde o meu tempo o projecionista Carlos Lobo tratava da maquinaria. Fazia milagres nas engrenagens velhas e bateu palmas às novas. Era desses técnicos parecidos com os que são maníacos por carros e vivem limpando o bicho todos os dias.

            Pois o Carlos, que não chega a ser nem funcionário interino da linha que se conhece, deixou a raia. Não receberia nem por serviços prestados. Resultado: a cabine ficou nas mãos dos rapazes que sabem botar o rolo de filme no aparelho, mas não sabem das manhas desse aparelho.

            Pacheco achou que seria melhor parar do que ver um desastre, ou seja, a destruição de maquina cara por falta de quem saiba tratá-la.

            E agora? Técnico de projetores cinematográficos é figurinha difícil na Belém de hoje. Antes, com Severiano Ribeiro dominando o mercado, tinha Baltazar Pimentel, um “bruxo” que botava para virar até projetor capenga como alguns do subúrbio e do interior que ele atendia a pedidos. O Carlos Lobo veio na geração do Manoel, que foi aluno do Baltazar e funcionava nos cinemas 1, 2 e mais tarde 3, Docas 1 e 2 e Castanheira 1 e 2 (salas do amigo Alexandrino Moreira, um maluco por cinema como eu).

            Sem respaldo do poder público, o cineminha do Centur está em compasso de espera. Até quando? Sabe-se que máquina parada é máquina avariada. Esse tom persegue a música que ora se toca na área da programação cinematográfica alternativa da cidade.

            Lamento bastante o que está acontecendo. Como penso que não sairia muito dispendioso achar um doutor para a doença da máquina. Apesar de ser uma especialidade rara, há quem possa assumi-la. Falta um pouquinho de boa vontade da Fundação Cultural, diga-se Secretaria de Cultura, diga-se Governo do Estado. (Pedro Veriano)



Escrito por Pedro Veriano às 15h04
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Cinema Alternativo em Perigo

 

 

 

           

 

 

 

            Sábado passado fui ao Cine Libero Luxardo(Centur) desejoso de ver o filme premiado (e de estréia) ao ator-cineasta Matheus Natchergaele: “A Festa da Menina Morta”. Quando ia entrando com o meu querido fusca na garagem do prédio um funcionário, delicadamente, perguntou-me se eu ia para o cinema. Disse que sim. E ele disse que não. O cinema estava suspenso por conta de um desarranjo no projetor. Não é a primeira vez que isto acontece. Penso que no meu caso é a terceira. O cinema alternativo, especialmente o que á alimentado pelo poder publico, é de extrema fragilidade.Quando poderia ser o contrário: o mais forte, ganhando gordura com o subsidio.

            Soube depois do que estava (ou está) acontecendo. O projetor do Libero, um dos melhores de Belém, está precisando de manutenção. Pequenos estremecimentos indicam que a máquina pode quebrar a qualquer momento. Peças como a cruz de malta indicam o fim do aparelho, pois são tão caras que pedem um novo. A melhor opção é parar antes que tudo se acabe.

            E agora a parte tragicômica da historia: o Centur tinha, no meu tempo de programador do cinema de lá, um senhor técnico: o Carlos Lobo.Ele se formou ali, aprendendo num projetor ruim, colocado no espaço não se sabe como, pois até o Secretário de Cultura da época, Acyr Castro, espantou-se quando foi visitar o esqueleto do cinema (ia ser inaugurado dentro em breve) e deparou com a maquinaria em fase de instalação.  Manejar esse “Hercules” (nome do projetor) era, de fato, uma tarefa hercúlea. Mas o Carlos dava conta. E deu, depois,com as mudanças para melhor. Hoje conhecia a cabine da sala como sua própria casa. Não precisava ir buscar técnico na conchichina para endireitar um pequeno defeito. Acontece que o Carlos não fez concurso para funcionário (sua categoria não existe em editais) e, como interino, saiu da folha de pagamento da instituição. Contratá-lo por serviços prestados seria a formula. E assim foi feito até recentemente. Agora não tem disso. Não se paga mais uma pessoa que saiba tratar de projetores. Eles que se lixem.

            E aí? Como vai ficar o Libero?

            Do lado da Prefeitura (o Centur é por conta do governo do Estado), há outro prisma surrealista. O senhor prefeito não quer que se cobre ingresso do cinema Olympia, a casa quase centenária que ele, justiça seja feita, salvou da vontade do dono do prédio (ainda esperando ser tombado) em tirá-la do mapa. Mas se o salão serve para “n” coisas, a parte de cinema fica devendo ao DVD projetado e aos filmes de embaixadas que cedam cópias em 35 mm. Com outro agravante: essas cópias, obviamente, chegam do sul por via área. Carecem de pagamento de frete. E a PMB não paga isso. Então quem paga? Por outro lado, o “datashow” ou projetor de DVD, é muito precário (estava no Memorial dos Povos). Para o espaço seria necessário um que tenha no mínimo 6 a 8 mil lumens (brilho). O que projeta discos, atualmente, deixa sombras na telona, exigindo que se exiba preferencialmente títulos em preto e branco, pois o colorido esmaece de tal forma que se vê apenas...fantasmas.

            O Olympia podia ter uma renda (com ingresso como o Libero, a 5 reais, e além disso, bomboniére terceirizada, que desse uma ajuda à boa vontade do prefeito). De graça precisa de verba para manter uma boa programação.

            O Cine Estação, que é também do Estado, passou a fazer apenas um programa de cinema por mês no Teatro Maria Sylvia Nunes. Antes eram 3 programas. Uma pena, pois o espaço e o projetor convidam, especialmente em sessões que Belém perdeu como a matinal de domingo.

            Quem ainda programa filmes para os cinemas subvencionados é gente que entende do assunto. O contacto com as distribuidoras de filmes existe e é feito com o necessário conhecimento dos produtos (quem não sabe come gato por lebre). Se o poder público olhasse um pouquinho mais para esses espaços a platéia estaria de parabéns. Cinema “de arte” não é artigo de luxo como alguns pensam. É apêndice do ensino, da cultura, do que se faz em escolas. Formar platéia para bons filmes é educar. Portanto, gastar dinheiro com cinema não é jogar fora. Mesmo, nos casos em pauta, é salvar patrimônio. Deixar as coisas flutuarem sem uma bóia é antever naufrágio. E depois do naufrágio haja dinheiro para fazer outros barcos. (Pedro Veriano).



Escrito por Pedro Veriano às 09h34
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