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Blog do Veriano
 


Sindro de Cotard

 

 

 

           

 

            Primeiro é preciso que se saiba que diabos é “sinédoque”. Diz-se de uma coisa que se compara a outra, ou que lembre outra. No caso do filme “Sinédoque Nova York”, o personagem principal, Caden Cotard(Philip Seimour Hoffman) faz uma “Big Apple” dentro de um teatro em que ele pretende encenar a “peça de sua vida”.

            Depois há uma explicação para o nome do herói da história: Cotard, médico francês do século XIX, pesquisou o caso de um cliente que se dizia morto. Por se julgar morto, o homem se sentia em estado de putrefação.

            Explicando isso se pode entrar no universo do cineasta Charlie Kaufman que, neste novo (2008) filme estréia na direção (antes ele foi apenas roteirista, e brilhante quase sempre, a provar “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças”e “Quero Ser John Malkovich’).

            Primeiro se conhece mr. Cotard. Antes de ele acordar vê-se uma sala escura, um desenho animado passando na TV, e o despertar de um hipocondríaco tipico. Quem conhece um deles sabe como esse tipo de pessoa, ou doente(pode-se dizer), faz a sua manhã. São diversas pílulas aguardando vez para seguirem goela adentro. Mas no caso focalizado, a hipocondria já está sendo contagiosa. A pequena filha de Cotard, chamada Olive (Sadie Goldstein), está impressionada porque o “seu cocô está verde”. A mãe minimiza a impressão. Mas logo o pai dá um grito. Ao se barbear bate no espelho e cai um vidro sobre sua testa produzindo um ferimento. A filha se impressiona com o sangue derramado. No caso, a caminho do hospital onde o pai ganhará alguns pontos na testa, ela diz que “não quer ter sangue”. O medo se define como a aversão à idéia de morrer. E isto passa para os atores no teatro onde Cotard trabalha.A idéia fixa de que a morte é inexorável passa num discurso do encenador para os intérpretes e lembra para o cinéfilo o Woody Allen de tantas vezes, especialmente de “Hannah e Suas Irmãs” quando a fobia de um câncer no cérebro leva o personagem a peregrinar por consultórios médicos e depois, ao ver uma tomografia limpa, festejar na rua para, em seguida, pensar que o diagnostico é prematuro, que “um dia a doença pode ser revelada”.

            Morte e vida pontuam o filme, mas as primeiras seqüências realistas cedem espaço aos devaneios de Cotard a partir da chance de encenar o que deseja posto que recebeu um prêmio (em dinheiro) por seu trabalho anterior (criticado como um remake de peça antiga). Daí em diante o que acontece no plano real é detalhe de um ensaio para o palco. Sabe-se que a mulher dele, Adele (Catherine Keener), partiu com a filha e sabe-se que ele procurou sexo com a bilheteira Hazel (Samantha Morton) e em seguida com a jovem atriz Claire (Michelle Williams). Também se sabe que procurou a psicóloga Madeleine (Hope Davis), que os pais morreram (primeiro o pai, depois a mãe, de câncer), e que arranjou um ator para fazer o papel principal na peça, na verdade o seu “alter ego”.

            É interessante que esta mescla de realidade e ficção se une numa pontuação em que uma ajuda à outra. Por exemplo, a casa que Hazel compra está sempre em chamas. Ninguém se importa com isso e até a corretora fala de incêndio como uma hipótese viável a qualquer morador. O fogo marcaria a mulher sensual que depois se junta a um outro tipo – e ainda se vê novamente só, no processo de tempo que se usa na feitura de peça e que apenas sintetiza a realidade (Cotard não envelhece tanto na vida como envelhece no palco).

            Vendo o filme, e numa primeira vez certamente perdendo-se no labirinto de informações sobre o que se passa na mente do autor, a gente pensa que, perto do final, Kaufmann sai do esquema felliniano (há muito de “Oito e Meio” de Fellini) e põe um corifeu a “contar” o que se passa. Mas o filme não termina aí, desmentindo a totalidade da síntese falada. Há mais planos, como os da mulher cadavérica que mora no edifício para onde se refugiou Adele e vive dando um recado dela, como, e finalmente, o “velho” Cotard reencontrando Hazel (que pouco envelhece) e pedindo licença para botar a cabeça em seu colo. Esta conformação no carinho que não conservou em tempo hábil poderia fazer cair a cortina. Mas não se faz um recurso teatral para encerrar um processo de linguagem muito mais cinematográfico. O plano médio do casal (Cotard e Hazel) vai esmaecendo (fade in) e a tela ficando totalmente branca para receber os créditos finais.

            Charlie Kaufman já se sabia ser um dos mais criativos roteiristas do cinema moderno. Agora também diretor. Um atestado de maturidade em um filme difícil que tenta ver dentro de uma pessoa até com efeito mimético. Seria aquele “raio-X da alma” que tanta gente quis fazer. Palmas à tentativa (Pedro Veriano)



Escrito por Pedro Veriano às 10h26
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