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Blog do Veriano
 


Italianos

 

 

 

            Nos 50 eu saia de casa com moedas no bolso da calça certas para pagar ônibus e ingresso de cinema. Ia muito a Moderno, no Largo de Nazaré, onde passavam filmes europeus, especialmente italianos. O exibidor alugava da Art Filmes para suprir os dias que a RKO deixava em branco. E nesse tempo eu vi muito de Steno, Monicelli, Zampa, todo o time do neo-realismo italiano, e a velha guarda francesa, depois substituída pelos chatos da nova onda, especialmente Godard (gostava de Truffaut e Chabrol mas nunca embarquei no navio de Jean Luc Godard, o cineasta rebelde que no entender do critico Moniz Vianna, ativo então, filmava duas pessoas conversando nas cabeceiras de uma mesa pedindo ao cameraman que focalizasse o meio da mesa.

            Hoje revejo em DVD alguns filmes desse período, especialmente os italianos. De Steno vi agora “Coisas da Cosa Nostra” que já nasceu fora do tempo, ou seja, nos anos 70. Mas vi um exemplar da época: “O Médico e o Charlatão” de Monicelli. E vi “Europa 51” de Rosselini. Um ponto triste na alegria geral. O filme de Steno é hilário. O de Monicelli nem tanto. E o de Rosselini digno de uma lágrima.

            Rosselini via na reconstituição da Itália uma sociedade cruel. Ingrid Bergman era uma dama da sociedade que perdia o filho e decidia ajudar os pobres. Uma cristã que um padre interrogava achando-a maluca. Afinal,acabava no hospício. E todo mundo achava correto banir essa pessoa que tentava mudar o mundo como um novo Francisco de Assis.

            A fotografia de Aldo Tonti mostra uma Roma nebulosa, como vê a personagem de La Bergman. Giulietta Masina, antes de ser madame Fellini, faz uma faveladas mãe de 4 filhos que não vê seu homem bote tempo e ganha um emprego da mulher rica. Mas no dia de estréia no emprego ela marca encontro com um rapaz que pode ajudar sua família assumindo o lugar vago de companheiro. Bergman a substituiu para salvar o lugar. É constrangedor ver a senhora que de trabalho só tinha em currículo uma passagem por jornal quando solteira, vendo rolar a máquina que pinta sacos de sarrapilheira.

            O filme de Rosselini termina com um plano da boa senhora da janela de seu quarto na casa de saúde (ou de doidos) acenando para os pobres-diabos a quem ajudou. Ela lança um beijo para a câmera. Para nós, que vemos uma critica feroz a um estado de coisas.

            Engraçado é que “Europa 51” foi mal visto pelos críticos de 52. Sessenta anos depois é obra-prima. Antes tarde do que nunca. (PV)



Escrito por Pedro Veriano às 15h59
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