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Blog do Veriano
 


Atrações de Feira

 

Quando eu era mais criança (ou menos velho) o tempo do Círio mexia até com quem (como eu) gostava de estar parado. Atrações visando os romeiros eram muitas. Havia o “arraial”na praça, com todos os brinquedos que mais tarde foram limitados a um  terreno que antes abrigou um cinema (Moderno).  E havia teatro de vaudeville, aqui chamado “teatro de revistas”. Era o tempo em que a gente ia conhecer os donos das vozes que encantavam nos discos de cera e no rádio. Os cinemas Poeira e Moderno passavam a abrigar esse tipo de espetáculo. Eu ia nessa onda. Guardo na lembrança momentos em que se desafiava o puritanismo de então. Quando veio ao palco a vedete Virgínia Lane, que diziam ter caso com o presidente (ditador) Getúlio Vargas, as luzes apagavam e ela surgia caminhando do palco para o fundo da sala através de um estrado com  um jogo de luz que realçava a sua roupa cheia de lantejoulas (na verdade um maiô precursor do biquíni).

A mais tarde atriz das chanchadas da Atlântida, Adelaide Chiozzo, era a garota que tocava acordeom, com seu irmão. Os cômicos variavam de Colé, Badú, Zé Coió,e invariavelmente Jararaca e Ratinho. Em certo ano eles foram “condenados” pela igreja por causa de uma piada. Era assim: “- Cumpadre(como se chamavam), quem foi que criou o homem ?”

“-Cumpadre, foi Deus; mas ele se esqueceu de registrar a patente e hoje em dia todo mundo faz”.

Na mesma linha Violeta Ferraz do alto em que estava no palco do Poeira anunciou que ia cantar “Pecadora”. Mas ela pronunciou “Picadura”. E começou: “_Porque tens teu destino picadura....” As madames se levantaram puxando as suas fedelhas. O grosso da platéia ria sem peias.

Eu não peguei o tempo, mas o cinema Poeira sorteava patos e galinhas com o ingresso valendo de bilhete. O forte da programação das salas era comédia com o Gordo e o Magro e/ou filme de Tarzan. Depois disso é que chegaram os carnavalescos da Atlântida e de Herbert Richers. E as superproduções histórico-mitologicas que levavam multidões às salas, provocando empurrões entre uma sessão e outra.

Tinha cinema até em sessão de meia-noite. No Dia da Festa o programa do Poeira, e mesmo já com o nome de Nazaré, corria por toda a madrugada para que os romeiros esperassem o Recirio, procissão que acontece na 2ª.Feira e que encerra a festa em homenagem à santa padroeira dos paraenses.

Meu pai costumava estar entre os diretores da festividade. Por isso tomava conta da Barraca da Santa no segundo sábado da festa. Minha casa praticamente se mudava para lá. Mamãe orientava a cozinha. E à noite, eu perambulava pelo arraial acabando por entrar num cinema. Foi nessa época que vi “O Dia em que a Terra Parou”, filme que ficou na minha memória como se usasse fita durex.

O som do arraial dedicava musicas às pessoas que transitavam. Deu briga quando dedicaram à uma mulher o bolero “Senhora”(“Senhora/tu manchastes o nome/o nome do homem que um dia em teus braços feliz tentou ser.../ senhora, com todo o teu ouro/ de ti sinto pena pois não tens na vida nem Deus nem moral”.

Belém era pequena. Tinha o charme de cidade do interior. O transito era humano, as pessoas se conheciam, os assaltados eram raros e ladrões mesmo só os de quaradouro, ou “de galhinha”.

Não era de festejos pois eles quebravam a minha santa rotina, mas hoje sinto saudade do que lembro como uma forma de paz. Agora o clima é de guerra, a começar com  o transito. Viro Woody Allen em “Tudo Pode Dar Certo”, embora não ache que dê certo tanta merda atual.

 

 



Escrito por Pedro Veriano às 11h22
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Ride Pagliacci

Longe da opera de Leoncavallo a gente, no cinema, ria de tantos traídos pela sorte(não apenas pela mulher) e/ou vingadores anônimos da sociedade. Os grandes palhaços estão morrendo. Afora Chaplin, que deixou este mundo em 1977 e já não mais fazia rir como no tempo em que as “fitas” eram mudas, os seus comparsas de diversos países  desapareceram além das câmeras.

Quando eu via nos cinemas mais filmes do que os dias do ano (hoje nem que eu quisesse não podia arriscar tanto), os EUA tinham, por exemplo, Danny Kaye (o melhor showman que eu conheci). Eu não cito atores versáteis como Jack Lemmon, bons em comédias como em tragédias (“Se Meu Apartamento Falasse...” é a tragédia social do meio urbano). Os franceses tinham Fernandel, o “cara de cavalo”(fantástico em “O Carneiro de 5 Patas”). Os italianos iam à luta com Totó, o mestre feio, e Walter Chiari. Os ingleses, que tinham fama de não rir, botavam nas telas Norman Wisdom. Esses palhaços sucederam os heróis da comédia visual, o cinema em estado de graça que a partir de Chaplin e antes da extraordinária anarquia dos Irmãos Marx atacavam de Harold Lloyd, Buster Keaton, até mesmo Laurell & Hardy (e uma vez ou outra os imitadores Abott & Costello). Ah sim: tinha Jerry Lewis. Este ainda vive. Mas é um fantasma de corpo presente.

Norman Wisdom morreu este mês (outubro). Tinha 95 anos. Sua formula de fazer rir era ditada por uma expressão facial  econômica. Mas o resto do corpo se mexia. E a cara de pedra, “a la Keaton”, ajudava. Chegou a fazer um filme americano: “Quando o Strip Tease Começou”(The Night They Raided Minky’s/1972) de William Friedkin. Basta este exemplo de filme A para qualificar Norman como o desajeitado que dava tombos homéricos, lembrava o tipo que Donald O’Connor tão bem encarnou em “Cantando na Chuva”.

Aqui em Belém passavam lotes de filmes baratos com Norman Wisdom, distribuídos por J. Arthur Rank (primeiro vinham através da Universal, depois pela própria firma britânica). Eu não os perdia. Ria o bastante para suportar o pior da rotina de estudante (especialmente quando fiz o curso de medicina).

Hoje os ingleses apostam em Rowan Atkinson. É outra norma. O ator é expressivo, mas o tipo que ele criou é de cartoon. Se as gags são bem escritas ele funciona. Mas se é cercado de boa produção não possui a ingenuidade do seu velho colega (ou mestre, fica melhor). Por sinal que Atkinson está deixando de ser Mr. Bean, o tipo que lhe deu fama. Sente que cansou. Não sei quem ficará no trono dos galhofeiros. Se não aparecer substituto nós, cinemeiros,estamos fadados a achar graça, apenas,do que se diz sério, dessas aventuras histórico-mitológicas de grande orçamento, onde a piada é justamente a falta de piada. Ou o ridículo em overdose.



Escrito por Pedro Veriano às 15h05
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