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Blog do Veriano
 

Filmes



Nevoeiro Apocaliptico

 

 

 

 

            Cercados por uma névoa inexplicada, pessoas de índoles diversas escondem-se em um supermercado até que o tempo melhore. Um  pai com o filho de 9 anos chorando a falta da mãe usa a pose de líder. Ele percebe que o gerador da loja está com defeito, que ao chegar a noite o pânico se instalará de forma incontrolável. Para piorar a situação, uma religiosa fanática prega que aquilo é o fim do mundo, que o nevoeiro é um sinal divino, que resta as pessoas entregarem sem resistência as suas almas ao Criador.

            A prédica da beata gera uma confraria que aumenta na medida em que as tentativas de deixar o mercado se tornam infrutíferas (quem tenta morre) e o tempo de espera passa de 24 horas.

            “O Nevoeiro”(The Mist) saiu da cabeça de Stephen King. No cinema foi dirigido por Frank Darabont, especializado em filmar King desde algum tempo (“A Espera de um Milagre”, é o melhor exemplo). Podia ser um simples “thriller” onde a tônica é o medo crescente que se apodera das pessoas confinadas por uma causa que não explicam. Mas há outras leituras, como a fácil proliferação de idéias em um microcosmo de limites frágeis, a influência malsã de preceitos religiosos traduzidos ao pé da letra, a “anatomia” e “fisiologia” do próprio medo, e a ciência trabalhada em clima experimental sem pesar efeitos colaterais danosos. Isto e mais o militarismo, a pugna pela criação de novas armas como defesa e ataque.

O filme fica na metade do caminho dessas vertentes curiosas. Mas não deixa de incitá-las, e com isso prender o espectador por duas horas e cinco minutos. É um dos mais instigantes King já filmados, mesmo com alguns atores não conseguindo disfarçar os seus limites.(Pedro Veriano)



Escrito por Pedro Veriano às 14h47
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Viagem ao Centro da Terra

 É Preciso Ser Criança

 

            Para ver “Viagem ao Centro da Terra”(Journey for the Center of the Earth/EUA,2008) sem o recurso da 3ª, dimensão que motivou os produtores, é preciso, primeiramente, ser criança. Não que você vá tomar aquele doce veneno de filmes como “Quero ser Grande” (com efeito retrógrado), mas simplesmente que se deixe levar pela memória do tempo em que não reclamava as salas quentes de cinemas de rua, abanava-se com um gibi comprado de segunda mão ao lado da bilheteria, e não se importava em saber que mocinhos e mocinhas enxugavam roupas em segundos, não tiravam a maquilagem nem depois de um banho de lama, e simplesmente mostravam-se indestrutíveis. Tudo isso em troca de um simples prazer, aquela coisa de necessitar de um herói como a Tina Turner cantou no último filme da série “Mad Max”.           

            A “Viagem...” mostrada aos paraenses, sem relevo de imagem, é uma dessas comédias involuntárias que fazem a vez de remédio contra o tédio. Penso que é melhor ver Brandon Fraser correr de um dinossauro do que se meter num desses engarrafamentos de balneários em tempo de férias escolares.

            O que o filme conta, pretende ser ou acaba sendo, é, sobretudo, um comercial pai d’égua do livro homônimo de Jules Verne, aquele que eu, você e o amigo mais próximo leu quando “miúdo”. Sem ser ilustração do texto desse livro, coloca um exemplar nas mãos dos principais personagens com anotações que ajudam na procura de um cientista desaparecido. Tem um momento que um garoto reclama: “Por que eu não li este livro?” Bom efeito: o moleque da platéia corre para ler (hoje é difícil deslocar um menino ou menina de JK Rowlins para Jules Verne).

            Direção mecânica de um cavalheiro chamado Eric Berg e interpretações de quem se diverte trabalhando (às vezes até mais de quem  vê o trabalho).

            Criança perdoa até o chute de uma sepultura sem coveiro. (Pedro Veriano)

           



Escrito por Pedro Veriano às 16h29
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Hancock

SUPER-HERÓI PAU D’AGUA

 

 

            A formula de humanizar o super-herói passa por uma mudança radical em seu comportamento. Seria um super-homem alcoólatra, preguiçoso, mal vestido,  avesso ao banho e de guerra com o barbeador. Seria Will Smith depois de dormir no metrô em “À Procura da Felicidade”. E deve ser esta a ordem da produção para o diretor Peter Berg, ator de “Colateral” e “Leões e Cordeiros”, escritor e produtor de séries de TV, diretor de alguns episódios dessas séries, e agora diretor muito solicitado pela industria.

A ordem deu em “Hancock”(2008), uma comédia “blockbuster” que funciona quase até ao meio, capengando quando o roteiro envereda por um triangulo amoroso e explica mal a origem do (super)herói.

            Como filme de ação moderno não falta serviço para o ator mais querido da nova Hollywood: o computador.  A maioria das seqüências exigiu fundo verde ou azul para a inserção de imagens digitais.Os carros voam, as pessoas voam, as ruas se abrem, tudo que Superman costuma fazer, John Hancock faz. Só que para ele salvar uma pessoa de um atropelamento é preciso destruir uma frota de veículos, deixar automóvel dependurado em mastro de bandeira e simplesmente quebrar um trem.

            Quando Hancok acha uma igual (e a moda é botar seres invulneráveis brigando com semelhantes) o melodrama pede passagem. Quem é super é a mulher do sujeito boa praça que se torna amigo e protetor dele.Cornea-lo, no caso, é o cumulo do cinismo.Mas logo se sabe de uma espécie de moldagem no sistema elétrico: os pólos iguais se repelem. Mary (Charlize Theron) é, arrisco dizer, positiva. Hancock também. E ele só vai saber disso depois de flertar com ela e saber de sua história desastrada.

            O melo, no caso, é pé na bola. Graças a Smith o filme consegue ser divertido. Dá para boas gargalhadas até quer se adestre o mocinho ao politicamente correto. E super-homem negro ainda não pegou na terra de Obama. Fica até mesmo uma critica: ele, superblackman só dá mancadas, até que um branco mortal lhe ensine que a lei não isenta quem pode voar por conta própria.

            O sucesso comercial indica uma seqüência. Até porque, nos créditos finais, está uma piada. Não se pode chamar Hancock de idiota. Ele queima os fusíveis. Eu jamais o chamaria disso. Mas os roteiristas bem que podiam ser mais idiotas para serem mais engraçados. (Pedro Veriano)

           



Escrito por Pedro Veriano às 09h34
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O Fim dos Tempos

 

 

 

                        Uma vez apareceu em Belém um cara que dizia ser “o rei do mundo”. Lembro de que ele se re-coroou na Praça da República. E não demorou um outro dizia que o mesmo mundo ia se acabar. Nem pedia licença ao rei. No cinema, muitos filmes já profetizaram a coisa. Em “O Fim do Mundo”(When Worlds Collide), o fim era radical, com o planeta virando cinzas quando trombado por uma estrela(!). O comum, no entanto, foi o fim da humanidade  - ou de espécies de vida. Cito “Os Últimos 5”,”ON Diabo a Carne e o Mundo”, “A Ùltima Esperança da Terra”, “Eu Sou a Lenda” e até “O Planeta dos Macacos”. Agora com “O Fim dos Tempos”(The Happening), as pessoas passam a se matar sem mais nem menos. Seria uma toxina abrigada nos vegetais que o vento levaria para as narinas ou poros de todos os gêneros. Não se diz que animais irracionais também se matavam. Seria interessante ver uma tourada em que o toureiro e o touro se matassem ambos usando chifres. Mas a idéia de M. Night Shyamalan (um dos diretores mais conhecidos do público) é só mostrar o efeito e não a causa de um tropismo pela morte. A troco de quê ? Não interessa, Em “Uma Sombra que Passa”(Death Takes a Holiday) a Morte, corporificada, refelete ao ver pessoas fumando em recinto fechado: “-Como gostam de mim”. Não sei se Shyamalan viu este filme, mas o seu é um atestado de amor pela morte (como disse Mario Faustino: “não morri de mala sorte, morri de amor pela morte”). Gostar dele ou não é gostar de enigmas e de sentir medo. Sem dizer a que veio e para onde vai, o enredo não deixa de fascinar.Pena que a linguagem de cinema seja pobre. De minha parte eu preferia uma linguagem trabalhada, clássica, como a do filme que eu citei. Afinal, a morte não é moderninha: atúa desde que surgiu a vida.



Escrito por Pedro Veriano às 10h53
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Angel

 

 

            Em “Angel” o diretor François Ozon mergulha fundo no brega de Douglas Sirk, contando a história de uma garota pobre, mas ambiciosa, que escreve por intuição e consegue dominar o mercado livreiro dos anos 10 na Inglaterra, enriquecendo e perdendo quase tudo quando se apaixona e chega a 1ª.Guerra Mundial.

            O filme experimenta todos os elementos do cinema de lágrimas, tão caro a nós, latinos, noutras épocas. A diferença é que os tipos não são acompanhados com amor pelos espectadores. Antipática, prepotente, a principal personagem, bem moldada pela atriz Romola Garai sofre e morre sem acompanhamento emotivo da platéia. Também seus pares podem ir para os diabos que os carreguem que ninguém se importa. Nesse patamar corre a fatalidade inerente às heroínas de romances que as mulheres disputavam em tempo de seresta.Por causa, o filme pode ser divertido, mas não percebido como o diretor quis que se percebesse: um experimento sobre o       “kitsch” nas cores da fantasia alusiva também às locações.

            Muito curioso.



Escrito por Pedro Veriano às 14h41
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O Homem de Ferro e a Mãe

 

 

            Nos cinemas Robert Downey Jr reapresenta a sua versatilidade como O Homem de Ferro. Numa cena, Stan Lee, o criador do herói nas HQs ,olha pra gente. Ri à toa.O filme abre a temporada do comércio especifico.Em seguida vem “Speed Race” e em seguida “Indiana Jones 4”. As salas para os filmes “de arte” ficam ocupadas pelas sobras nacionais. É lei. E como diz o Nazareno Tourinho, “lei é lei está acabado”. Menos o ex-governador Magalhães Barata que dizia, com razões pascalinas, que “lei é potoca”.

            Bom cinema em “Despertar de um Crime”. Caiu bem no Dia das Mães. Garota engravida e pensa que não. O parto é na privada de um ginásio. O feto é abraçado e morto. Presa, ela é consultada por uma psicóloga grávida, idosa para isso, com passado de parto mal sucedido e presente de marido infiel. Entre as duas chega a sinceridade de quem sofre. Tudo em convincentes interpretações de Amber (filha de Russ)Tamblyn e Tilda Swinton (Oscar de coadjuvante por “Contato de Risco”).. A direção é de Hilary Brougher, a mim desconhecida. Roteiro também dela. Esse tipo de filmes é cada vez mais raro nas telonas de Belém. Persiste a dieta de megaproduções americanas. E ainda falam mal das produções francesas que se exibe no Olympia. Que vive la France. Pelo menos se “o amor é mudo”(titulo em cartaz) o espectador diante dos péssimos aparelhos das casas locais, é surdo.



Escrito por Pedro Veriano às 16h08
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Alice e o Pesadelo

 

 

            Eu pensei que a Alice não morava mais em sua casa(filme “Alice Não Mora Mais Aqui” de Martin Scorsese). Ou que tivesse embarcado para o País das Maravilhas. Mas no filme “A Casa de Alice”, do paulista Chico Teixeira, ela, na pele da atriz  Carla Ribas, compra passagem para o País das Desventuras, corneada duas vezes, mãe de adolescentes escrotos, filha de uma vovó de almanaque que o marido sacana põe num asilo.

            L avie pás em rose no cinema que se diz realista. Mas será que o cinema deve ser realista ? E a persistência retiniana? E a faculdade de se ver o que uma equipe quer que se veja ?

            A vida no planeta, seja na Lulalandia ,seja na Bushland, seja comerciada a Euros, é dura, todos sabem. Até crianças hoje perguntam se o pai pode um  dia querer jogá-las da janela. Mas não é por isso que se deve filmar só o manancial de ódios. Eu chego a ter saudades daqueles filmes perfeitamente idiotas que mostravam odaliscas em oásis de Los Angeles, ou uma ilha dos mares do sul com Jeff Chandler feito índio, ou aqueles cow-boys imaculados que vira e torce protegiam diligencias de bandidos atuantes sempre no mesmo lugar e hora. O tempo em que o ladrão de Bagdá não usava carro-tanque e que pirata era Errol Flynn  ou, mais pra trás, Douglas Fairbanks.

            OK, o filme de Teixeira é bem feito. E daí ?O que ele me disse para ficar no coração e mente ? Uma associação de idéias leva-me ao “A Cruz dos Anos” de Leo McCarey e a sua cópia “Em Família” de Paulo Porto “via” Vianinha. Lembranças dolorosas dignas de um pesadelo.  



Escrito por Pedro Veriano às 15h51
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Antes que seja tarde

 

 

 

 

            Manoel, meu cunhado, pegou uma bolada na cabeça e chinou. Numa tomografia viu o “galo” interno. Só não pifou de vez porque soube que tinha cérebro (e para mim foi, realmente, uma surpresa). Mas ele passou a me perseguir: “-Pedrinho, vai ver “Antes de Partir”. É um filmaço!”.

            Custo a ir a cinema no limite da cidade. Fui para atender ao amigo. E vi um misto de comédia e melodrama em que os personagens resolvem viver a vida que se esgota segundo prognósticos bem alicerçados. Um dos absurdos é saltarem de pára-quedas num intervalo de dores. Mas o que interessa é o recado de que se deve viver enquanto é tempo. E como cada um entende o verbo de um jeito, viver para os tipos interpretados por Morgan Freeman e Jack Nicholson é se aventuras mundo afora, terminando por se enroscar na família, o último carente dessa vantagem.

            Não me arrependi de ter ido ver o filme. É coisa que critico detesta, mas é sentimentalismo que desafia a frieza que a gente adquire com um embasamento cultural.

            Eu, antes de partir, queria muita coisa. Coisa material, como uma TV de 40 ou mais polegadas, e passar dias e dias na minha praia de infância, a do Farol, no Mosqueiro. Creio que o Manoel pensou aasim, apontando para outro espaço. Mas o fato de sonhar já é o bastante. Suaviza dores que porventura cheguem. A vida, na verdade, é curta para tanto que se pede dela. Não pedir é não querer, é se acomodar. E se o filme não é melhor é porque se acomoda em clichês para atiçar nossas lágrimas. Uma armadilha romântica.



Escrito por Pedro Veriano às 16h30
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Desejo e Reparação

 

 

            “Desejo e Reparação”(Atonement)é mais um filme que discute verdade e mentira. No recente “Jogo de Cena” de Eduardo Coutinho viu-se isto: as pessoas contam histórias que podem ser inventadas e atrizes representam essas mesmas histórias. No caso de “Desejo..”, uma menina de 13 anos escreve peças de teatro e expande a precocidade na direção do namorado da irmã mais velha, um rapaz da classe operária que se vê em ascensão. Nesse tom a gente vê por ela boa parte do filme. De uma feita a alusão é explicita: ela vê a irmã como nua defronte do namorado, saída de um banho (involuntário) em um chafariz doméstico. Volta-se a seqüência em planos mais próximos e observa-se que não é bem isso. Através dessa personagem, especialmente na 1.a fase de sua vida, o filme caminha em primeira pessoa mesmo sem narração off explicativa. Depois a garota é vista mocinha, como enfermeira durante a 2ª,guerra, e uma realidade assume o primeiro plano, Uma seqüência sem corte focalizando a Retirada de Dunquerque é significativa dessa ruptura. Já velha, a mesma personagem confessa, numa entrevista de TV, o mal que fez aos outros. Mas nessa volta critica ao principio ela também diz que está morrendo, que escreveu seu ultimo livro como autobiográfico, que sente o mal que causou aos próximos. Resta ao espectador discernir se é verdade ou se está na fabula do lobo que o menino fingia ver e quando viu não se fez acreditado.

            Sempre inteligente, o filme pode ser absorvido como um melodrama. Não deixa de ser, mas isto só engrandece o conceito de uma literatura vitima de preconceito.  



Escrito por Pedro Veriano às 17h11
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Primeiros Filmes do Ano

 

 

MELHORES & PIORES

 

            O melhor filme de 2007 em termos de Belém foi “A Conquista da Honra”(Flag of Our Fathers) de Clint Eastwood. Eleição pacifica da APCC. O pior deve ter sido “Eu me Lembro”, nacional (já esqueci o nome do diretor). Peço não lembrar do titulo daqui a alguns anos.

            No acender das luzes deste 2008 dei de cara com “P.S.Te Amor”, romance de uma viúva com o marido morto. Ele, antes de vestir paletó de madeira,.deixa para ela um punhado de cartas que a mãe dela, uma sogra como poucas, despacha na medida certa. As cartas dizem como a ainda jovem apaixonada deve se portar até que arranje um novo marido. Isto em cultura anglo-saxã é barra. O normal para o povo dessas bandas é rezar “rei morto, rei posto”. Mas no filme de Richard Gravanese a premiada Hillary Swank só reaprende a ir para a cama com um macho depois de ler instruções de quem ia com ela. O titulo do filme podia ser “Licença Para Casar Depois da Viuvez”, ou, se botarem musica, “A Viúva Pândega”.

            Outro filme deste ano: “Eu e Você”. Autora de telenovela francesa percebe que a vida real é outro departamento. Não há como fotografar experiências pessoais. Obvio que se dizia ululante.

            E não vi “A Bússola de Ouro”. Pretendia enfrentar a cópia dublada, mais ao alcance. Mas o projetor do cinema pifou na hora. Acho que saí ganhando. Filme dublado é samba em violino. Aguardo consultara tal bússola em DVD. Comodidade é posto.

           



Escrito por Pedro Veriano às 16h42
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Melhor do ano

 

 

Filme de guerra só contra guerra. E a dobradinha “A Conquista da Honra” e “Cartas de Iwo Jima” bradam contra. No primeiro, desmonta-se aquela farsa da bandeira norte-americana içada por “gloriosos combatentes” num pico da ilha japonesa. “A bandeira de nossos pais”(flag of our fathers, nome original do filme) desmistifica a bravata que John Wayne cinematizou através de Allan Dwan no modesto épico da Republic “Iwo Jima, O Portal da Glória”(Sands of Iwo Jima).

            Os filmes de Eastwood encabeçaram a minha lista de melhores de 07.

            E o que mais gostei, independente da maestria de realização ? Sei lá, mas “Saneamento Básico” foi gostosamente dentro daquele cinema amador que a gente brincava de fazer nos idos de 50. E “Quando Você Descer do Céu” tocou no Natal dos hipócritas com o contraste de um herói simples.

            Mas eu posso ver muitas vezes é o “Scoop” do velho Woody Allen. A sacada de investigar uma reencarnação de Jack, o Estripador, na Londres de hoje, passando à uma investigação ditada por um espírito, foi cool (ou “legal”). E deixou uma boa piada no fim: a mão do lado direito na Inglaterra “mata” o mágico interpretado por Allen. E no navio da morte ele tenta uma pegadinha a seu gosto.

            Cinema é arte, industria e diversão. Bendito o filme que exibe a tríplice qualidade. Este ano bem poucos. Pra cabeça ficaram “O Cheiro do Ralo”, “Pai e Filho”, e alguns títulos mais.  



Escrito por Pedro Veriano às 16h12
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Desencanto

 

Cinderela deixa o principe na mão e arranja namorado em Nova York. Depois de maorder a maçã, Branca de Neve não é despertada pelo beijo do principe: é um advogado novaiorquino quem vai tirar a moça do sono produzido pela bruxa.

Essas e outras licenças aos contos de fadas que meteram na nossa cabeça quando bebês estão em "Encantada", da Disney, filme que a empresa vende como o seu trunfo no jogo de fim de ano.

Não se pode dizer que a brincadeira não seja divertida. É. Mas a conjunção dos contos de Perrault e Grimm com musical da Broadway e atores caricatos pesa na aceitação dos que viveram antes da internet e piratas digitais.

O filme dirigido por Kevin Lima é divertidamente mediocre. Aquela coisa que é ruim mas a gente não cansa de ver. O que mais me chateou foi a mocinha Amy Adams, que muitos coleguinhas aplaudiram mas eu achei uma carnavalesca deslocada de sua escola de samba.

É o filme do Natal da casa do Mickey. O chato é que os ratos do filme são de esgoto, devidamente feios. Mas o melhor é um deles comer uma barata que também é bicho bom na história. A Disney já não faz mais bichinho como antigamente. Nem no traço bidimensional.

 



Escrito por Pedro Veriano às 12h23
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Lenda Dinamarquesa

 

            Cada povo, cada cultura, guarda seus mitos. Se os gregos eram ricos nessa área, criando um universo povoado de deuses e heróis, o nosso caboclo vê um macaco branco com os pés para trás, uma mendiga que assovia e deixa um cheiro nauseante por onde passa, uma anaconda superlativa a fantasmar os rios, e até um boto donjuanesco, quem sabe por conta da semelhança dos órgãos sexuais desse peixe com os dos humanos.

            “A Lenda de Beowulf” vê a mitologia dinamarquesa. Por lá havia dragões, monstros bípedes e uma iara que usava de arma o seu fascínio.

            O filme de Robert Zemeckis, vindo de um poema do século VIII, procura fazer jus à fonte criadora da história e utilizar todo o arsenal técnico que o cinema hoje dispõe (até o efeito tridimensional em tela gigante, coisa vetada aos pobres mortais de nossa banda). É um exemplo de visual moderno. Com licença plástica interessante, embora não a ponto de sugerir um painel barroco como poderia sugerir se a ambição fosse mais artística ou menos comercial.

            Boawulf, guerreiro danês, mata Grendel, gigante disforme, e é seduzido pela mãe dele, uma deusa do mar. Rei da Dinamarca pelo feito, é guinado, na velhice, a lutar com um dragão. Ganha a luta, mas morre. Recebe um enterro viking, mas a última imagem é da mulher da água surgindo dos destroços do barco em chamas que leva seu corpo. Ela, por Angelina Jolie, é a tentação molhada que persiste. O filme não chega a ser erótico a ponto de segui-la. Prudente para alcançar a raia miúda, fica na ação, na valentia do herói,. Mas o faz com algum mérito. É uma rara superprodução palatável.



Escrito por Pedro Veriano às 12h14
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Os Retornados

 

 

            Os mortos voltam, mas não necessariamente em carne e osso. Em “Os Retornados”(Lês Devenants/França,2004) o cineasta Robin Campillo usa defuntos de até 10 anos para realçar a tese de que a memória é bem e mal. O bem porque se liga a afetividade e muitas vezes sentimos bem estar lembrando fatos alegres de um passado não obrigatoriamente muito distante. O mal porque muita vezes a memória fere ações presentes, incutindo o medo vestido de prevenção (você não vai nadar no meio do rio com medo de morrer afogado como uma pessoa que conheceu).

            Uma defunta agrada o marido que chorou a sua morte pedindo-lhe carinhosamente, na hora de um ataque cardíaco, que ele não resista (à vida), que a siga(na morte). Um garoto ressuscitado quer se reunir com os colegas de cemitário mas os pais temem voltar a perdê-lo. Ele se atira do alto de um prédio,  Não morre de novo, mas exibe um protesto. E o engenheiro que controi uma usina no subsolo despede-se da amada mergulhando na terra. Ela não o segue, apesar do amor.

            Um filme rico, o que é raro hoje em dia quando cinema é feito por cabeças ocas do tipo cofre de moedas. Não é um espetáculo, não é um desfile de zombies como os títulos de George A. Romero. É uma curiosa e instigante licença de imaginação por sobre temas que vão de “foi ao ar perdeu o lugar” ao “o que passou, passou”.



Escrito por Pedro Veriano às 17h01
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C.R.A.Z.Y.

 

 

            Uma família da classe média na Quebec dos anos 60 é focalizada através do relato do quarto filho de um casal, começando quando ele é parido numa véspera de Natal. O relato oral ajuda na comicidade, mas o filme não é uma comédia. O propósito de chamar a prole com as iniciais da música de sua predileção é tarefa eivada em “non sense” por um pai machista. Seriam C de Charlie, R e Raymond, A de Adam, Z e Zachary e Y e Yvan. Só que no inicio do relato Yvan ainda não havia nascido.O pai apostava em 5 homens, descontando dois abortos da mulher. E exige a opção sexual dos garotos. Especialmente de Zac, aparentemente o favorito, mas logo desprezado por sua tendência gay.

            Delicado no que se pode fazer do tema o filme de Jean Paul Valée impressiona justamente pelo equilíbrio narrativo. E deve muito à postura do elenco, inclusive no aspecto físico dos atores (boas escolhas para os tipos). Isto e a música, com a “Crazy” pontilhando o universo que espelha um tempo. Tudo aquilo, de certo, que o baiano Edgar Navarro pensou em filmar com o seu melancólico “Eu Me Lembro”.]

            Um filme sempre agradável de ver, conseguindo que se passe mais de duas horas em cinema de más poltronas sem reclamos imediatos.



Escrito por Pedro Veriano às 15h04
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